Desaba afo
Sentado aqui e tentando trabalhar em um quarto minúsculo contendo eu, uma mesa, dois computadores, duas bicicletas, um violão, um contrabaixo, duas cadeiras e um amplificador (na verdade é um encosto de pé), enquanto Joca, o pequeno voraz, acha espaço em meio ao caos para correr atrás de uma garrafa de plástico vazia como se ela fosse uma presa.
Eu lembro como era bom me divertir com pouco. A vida só te deixa mais feio, careca, gordo, chato e exigente. Também te deixa mais sábio, refinado, vá lá, mas no fim o saldo é negativo.
Certo foi aquele que disse que a vida é boa, ela só acontece no sentido errado.
Pegadinha da MTV deixa Daniella Cicarelli (sim, com quatro éles) feiosa. Agora Ronaldinho além de comê-la, pode se sentir um pouco menos monstruoso.
Ai zenti. Bem que ela podia concluir logo seu plano: engravidar, separar e desaparecer.
Poste musical
A dica de hoje é assim, pegue uma garrafa de vinho, abra-a, encha sua(s) taça(s) como manda o figurino e dirija-se ao ambiente mais escuro de sua moradia. Arrume uma maneira de deixar esse ambiente apenas com aquela meia luz, suficiente para enxergar só as cores interessantes, e no radinho coloque Múm.
Na falta de vinho e luz própria, coloque apenas Múm.
Verão é assim. Roupas leves e umbiguinho de fora.
Sonho
Em meu sonho dessa noite a TV anunciava a nova versão do desenho dos super-amigos, com Maria Irrita dublando a Mulher-Maravilha e o dublador de Jim Carrey dublando o Super-Homem.
Que tipo de pessoa ostenta o título de dublador do Jim Carrey? Doença!
Os Filmes de 2005
1: [reservado para Sin City]
2: Os Sonhadores (Bernardo Bertolucci)
3: Closer (Mike Nichols)
4: Constantine (Francis Lawrence)
5: Sideways (Alexander Payne)
6: Menina d'Ouro (Clint Eastwood)
7: Machuca (Andrés Wood)
8: Em busca da Terra do Nunca (Marc Forster)
9: O Grito (Takashi Shimizu)
10: Meet the Fockers (Jay Roach)
Você deve ter lido por aí que o filme Constantine não é fiel aos quadrinhos, que é hollywoodiano e blablabla. Calma lá rapaz, foi tudo um exagero. Podem pasmar, o filme é bom sim! A melhor adaptação desde X-Men, sim, talvez. Pena que vai ficar pequeno perto do que está por vir esse ano. Mas vamos à minha humilde opinião sim?
Constantine acerta em quase tudo. O que me deixa triste é que o 'quase' poderia ter sido evitado sem perder o impulso de filme-pipoca. Não é tão sério e sombrio como os quadrinhos, mas não fica tão atrás. Tivessem feito John inglês, loiro, de sobretudo bege e fumante de Silk Cut, aí sim teríamos algo quaaaase irretocável. Reparem que o quaaaase ainda está lá, mas se tivessem seguido fielmente o roteiro de Garth Ennis, o mais célebre escritor das histórias de Constantine, o filme seria um pouco inacessível à massa. O diretor ainda teve a decência de incluir grandes trechos da mais interessante história de Constantine, Hábitos Perigosos, a série que me fez cair de amores pelo personagem, publicada em Vertigo 1,2 e 3, muitos anos atrás. Louvável, mas poderia ter sido melhor.
Quase tudo esta lá. Os demônios, os cigarros, o álcool e a arrogância. Ah, a arrogância. Não é a mediunidade que faz de John um personagem tão querido. É o jeito que ele olha para todos - inclusive anjos e demônios - de cima. É o jeito que ele impõe sua maneira de agir sobre tudo e todos. É a maneira que ele conversa com entidades 'superiors' tratando-os como lixo. E quase tudo isso está lá.
Quase, quase, quase.
Quase tudo poderia ter sido melhor, mas quase tudo está quase ótimo. Constantine quis agradar gregos e troianos, e quase agradou os dois. Poderia ter sido pior, vide mulher-gato, mas poderia ter sido melhor, vejamos Sin City.
Agora, quem é esse tal de Pruitt Taylor Vince que interpreta um Padre? Ele estava também em Identidade fazendo o mesmo truque com os olhos, mexe um pra cá, outro pra lá e pronto, cara de louco. Está ficando manjado.
Telecine Cyber Fucking Movie
Todos aqui já devem saber do novo Cyber Movie do Telecine (a imagem é cortesia do Eu Diria Que...). Também devem adivinhar que eu acho um absurdo, um sinal do fim dos tempos e da falta de bom senso dos comandantes daquele canal. Escondidos atrás da desculpa de que as línguas evoluem, o que eu não discordo, o canal estuprou o português. Comeu o cu, gozou na cara e pediu o troco.
Mas já que aconteceu, venho aqui dar algumas sugestões para além dos adolescentes burros, outros tipos de pessoas serem agraciados com legendas do tipo. A partir dessa cena do filme Persona, de Ingmar Bergman, que ninguém aqui viu (isso inclui eu) desenvolvi algumas idéias:
Gaúchos
Quem já foi ao sul sabe que lá além de tomar cerveja Polar e comer X-Coração, as pessoas falam outra língua. Durante minha longa temporada de um dia em Porto Alegre pude aprender algumas palavras que permitiram essa legenda:
Manos
Eu tenho um disco dos Racionais, então ficou fácil:
Caipiras
Afinal, eu sou de Jundiaí.
Bahianos
Ler legendas dá uma preguiça danada, mas não fazer um programa para eles seria preconceito.
Paulistanos
Para os descolados.
Cariocas
Se não fizermos, eles vão acabar achando que ninguém gosta deles.
Sanduíche-iche
Isso isso é umas das coisas mais engraçadas adas que já vi.
Meu nome é Rafael, mas pode me chamar de רפאל.
Dei um tapa nos links aí ao lado.
Coisas feias e sujas
De todas as coisas toscas, sujas e feias que vi aqui em Israel, a vencedora disparada foi ontem na tevê um filme francês estrelando Gérard Depardieu e John Malkovich. Toda a dublagem, imaginem vocês, era feita por apenas duas pessoas: um homem e uma mulher. Traduzindo, todos os homens do filme tinham a mesma voz, e também as mulheres. Como se não fosse suficiente, o som original era muito mais alto que o necessário podendo-se até saber que era francês, e a sincronia era zero assim como a emoção. Era como uma tradução simultânea feita por um estagiário gripado.
Sinto falta de casa.
Mas não pelos filmes dublados.
OS filmes de 2005
1: [reservado para Sin City]
2: Os Sonhadores (Bernardo Bertolucci)
3: Closer (Mike Nichols)
4: Sideways (Alexander Payne)
5: Menina d'Ouro (Clint Eastwood)
6: Machuca (Andrés Wood)
7: Em busca da Terra do Nunca (Marc Forster)
8: O Grito (Takashi Shimizu)
9: Meet the Fockers (Jay Roach)
Faz um tempo já que assisti e agora a única coisa que sobrou de Menina d'Ouro em minha mente são as cenas da menina-homem Hilary descendo a lenha em suas adversárias. Sou averso à boxe - acho um esporte bárbaro e ofensivo aos meus bem treinados olhos - mas confesso que deu-me vontade de esbofetear algum rapaz da mesma maneira que a garota fez com as fêmas. Aliás, quando vão dar um papel de garota delicada para a Hillary? Começou em algum Karate Kid, passou pelo Meninos Não Choram e agora veio esse aqui. Sacanagem, tudo bem que ela é feia, boyish, chassi de grilo e dentuça, mas daí a estereotipá-la com papéis desse tipo é ruim para a psiquê da garota.
Assim como Morgan Freeman mais uma vez assume o papel do sábio anônimo. Seja em Se7en ou até em O Todo-Poderoso, o ator encarna o mesmo personagem.
Oh Senhor, dai-me paciência e senso de humor, não necessariamente nessa ordem.
Curtas
1) Aqui você pode ver algumas imagens comparativas entre o Sin City em formato HQ, e o filme que arrebentará a boca do balão. Em pelo menos uma das cenas, é impossível dizer qual é qual. Genial, disparada a adaptação mais fiel.
2) E o prêmio para pior nome de Motel da história vai para KY Luxatel, em São Paulo.
3) Ontem passei por um bairro de judeus hortodoxos aqui em Jerusalem. Todos de preto, barba e chapéu. Fatos curiosos são que eles algumas vezes apedrejam quem passa por lá de carro durante o Shabbat, e também eles não trabalham, vivem com uma pensão do governo para poderem fazer o que quer que seja que eles façam o dia todo, já que não podem ver tevê ou usar computadores ou ouvir música whatsoever.
Têm que se foder mesmo.
Eu queria mesmo era escrever um texto ótimo, algo que quando você lesse não precisasse parar para pensar. Algo que batesse na sua lata, plaft, e ato contínuo fosse esquecido. Mas aí tempos depois aconteceria alguma coisa e você lembraria de cada letra, vírgula e ponto de exclamação. E aí você iria dar um sorriso de lado, iria disfarçar, fingir um espirro, e daria uma pequena gargalhada, bem pequena mesmo, daquelas que depois que somem ainda deixam uma marquinha na bochecha, mas só quem conhece você muito bem poderia identificar.
Porque Sin City tem a faca ensangüentada e o queijo podre nas mãos para ser o filme do ano
Porque tem o Frank Miller no volante, o criador da série em quadrinhos que originou o filme himself. Porque a HQ é sensacional e tem o Benício, o Clive, o negão grandão e o Mickey. Porque o filme foi feito com nanquim. Porque tem uma gostosa balançando e muita violência desmedida. Porque o Quentin deu uma força danada de boa e, acima de tudo, porque o trailer é DE FODER.
Depois da tempestade, acaba a tempestade (ou, não mais digno de nota).
Bah, foi ruim enquanto durou. Dezenas de visitantes que entram apenas para pedir um link, uma visitinha, um comentário até serve. Veja o ponto que chegamos, esmola virtual! Eu podia roubar, eu podia matar, mas estou aqui pedindo, vai lá, comenta.
Pelo menos os mendigos da rua não pedem uM tRoCaDuuuu PuFaVoo.
1) Chorão Brown Jr. se separa e fica perto do fim.
Oremos.
2) Sting vai compor música sobre a tragédia na Ásia
Para ele, uma tragédia não é suficiente.
Vendo o Papa respirar por um tubo na garganta, imóvel, enquanto médicos caríssimos e cristãos lutam para mantê-lo vivo, nesse sofrimento, privando-o do tão esperado encontro com o seu chefão supremo, e lembrando-me de suas fodelanças com o mundo, suas opiniões rígidas sobre camisinha e outros assuntos que vocês devem conhecer, só uma coisa me chega na cabeça:
Deus castiga
Amém.
Estou em Jerusalem e a coisa está russa
Preciso confessar, estou avançando em ritmo de jabuti na leitura do Crime e Castigo, do camarada Dostoiévski. O livro começou e continuou bem, mas agora está difícil, muito difícil. A visão embaça, as palavras dançam a Polka (ou será o balé de Barishnikov?) e eu desisto. Tempos depois avanço algumas páginas e lá vem a musiquinha pá-pá-pá e o baile começa.
Mas sou brasileiro e não desisto nunca. Vencerei essa Perestroika como um bravo Zangief venceria o Street Fighter. Aqui vai uma dica para o próximo livro que o autor resolver lançar: use nome menos complicados. Sugestões: Carlos, Pedro e Maria. Ih, ele morreu? Danou-se. Enchamos a cara de Vódega em silêncio.
Aqui em Jerusalem está tudo igual. Seco e empoeirado. Meu nariz se torna lentamente o reino da catota sangrenta. Quem reclama de Brasília devia passar uma temporada aqui. Dizem as más ínguas que nego termina de lavar a roupa e guarda direto no armário. Que exame de sangue é feito com um lenço.
Que maldade gente.
Agora o Anthrax
O show do Anthrax foi legal para quem não era eu. Os caras tem 20 anos de carreira (cheiram pra caralho) e uma caralhada de discos. Desses eu gosto de 3 ou 4, mas meu preferido é o Stomp 442, do qual eles tocaram zero canções. Resolveram agradar os fãs de longa e eu, que gosto da nova fase, se fodi. Valeu mesmo pelo cover de Pantera em homenagem ao cabeludo que morreu (já falei aqui, não vou repetir). Só fizeram a cagada de mandar um Sepultura, argh. A massa suada resolveu gritar e pular, só porque era da terrinha. Coisa besta sô, eu detesto Sepultura e cada vez mais. Fiz cara feia mas ninguém notou, eu até era bonitinho ali no meio.
