Sexta-feira, Julho 30, 2004
Meu vizinho de mesa, George, está com uma camiseta com os dizeres Fog Jog. Curiosamos e alguém perguntou do que se tratava. É assim: em uma cidade próxima chamada Pacific ou algo assim onde têm-se muita, muita neblina. E quando a neblina está em seu ápice, eles organizam uma corrida por ela, onde você não enxerga um palmo à frente do nariz.
Deve ser divertidíssimo ã? Eu acho.
Mas o melhor estava por vir, quando ele me explicou o que acontece na famosa (?) Bay to Brakers. Uma corrida de 10KM atravessando a cidade onde malucos correm fantasiados ou nus, mas os mais criativos anualmente vestem-se de salmões e correm no sentido contrário.
Eu achei genial, borrei-me de rir.
Quinta-feira, Julho 29, 2004
Waking Life não sai encabeçando a lista dos filmes de 2004 só por eu não tê-lo visto no cinema. É simplesmente um dos melhores filmes que pude assistir na minha vida. Não fosse belo artisticamente, seria inteligente ao ponto de causar urticárias. Não fosse ambos, seria original como se fosse único.
Instigante, profundo. Deu vontade de abrir uma garrafa de qualquer coisa e conversar sobre qualquer tema discutido no filme. Verei de novo, mas com legendas em português. Fica aqui meu agradecimento ao quelque pela dica.
Cada cena foi filmada para depois ser animada por diferentes artistas. A impressão que se tem é de uma constante mudança de clima, temática, orégano. Ao fim têm-se uma obra-prima.
E qual não foi minha surpresa ao ver na lista de filmes do diretor Richard Linklater, Dazed and Confused. Lembro-me de ter assistido um trecho desse filme no Telecine, muito tempo atrás, e ter achado muito interessante. Agora é minha missão na Terra correr à locadora e vasculhar a filmografia do rapaz. Escola do Rock eu já vi, e engraçado, não sabia que era dele também. O cara é eclético, flexível e BOM PRA CARALHO.
Seguinte, meu ICQ surtou. Liguei-o hoje pela manhã e pimba, nenhum contato. Tentei re-adicionar meu vizinho aqui e roda, roda, roda e nada.
Se até amanhã os sinais vitais não se reestabelecerem, declaro morte cerebral. Puxo a tomada e dôo os orgãos. É verdade que ele ainda recebe mensagens, como uma psicografia às avessas.
Meu número no ICQ é baixíssimo, 13.233.795 . Ele nasceu nos idos de 1996, lembro-me como se fosse ontem. Hoje, com 8 anos de idade, minha lista é tão gigantesca quanto inútil. Não sei se acontece com todas as contas velhas, mas eu simplesmente não consigo deletar ninguém. As pessoas somem, e na próxima vez que o ligo, pimba, estão lá de novo.
Enfim, era só para dar o recado.
Caso precisem comunicar-se comigo, MSN é uma boa, rgaino@hotmail.com .
Quarta-feira, Julho 28, 2004
A última banda, Gravy Train!!! (o site não funciona, mas foi o que achei), pegou uma platéia preparada para qualquer coisa. Talvez menos para música. Entraram como líderes colegiais de torcida, usando sainhas curtas e pom-poms. Com apenas um detalhe: eram homens.
Sim, o rapaz está nu. Chocante? Ná...
O resto da banda eram duas garotas. Todos se comiam, com certeza. Cada fim de show ou ensaio deve ser uma suruba só. E a música era algo como um poperô-purpurina-nervosinho. Era eletrônico, era gay até os ossos, mas era bacaninha até. Rápido, com boas sacadas e umas dancinhas muito engraçadas, como esse do de quem é esse sabonete?.
Depois de muito esfrega-esfrega dos pan-sexuais, resolvi deixar o recinto. Não vi até o fim do show, mas serviu para me dar o exemplo de como é a San Francisco de verdade. Além das fachadas que vi nesses dois meses, conhecer o Bottom of the Hill foi essencial para falar que morei aqui. Eu adorei o lugar, devo voltar inclusive no último sábado que me resta, mas dessa vez, queria mesmo era ouvir música.
Não continua.
Terça-feira, Julho 27, 2004
Uma pequena pausa no relato do show de sábado.
O Jornal O Dia publicou a opinião de duas pessoas sobre o aborto de fetos anencefálicos. Um médico a favor, e um advogado contra. Leia aqui antes de mais nada.
Acho um absurdo a opinião do advogado, Jorge Béja. Ele coloca o cumprimento da lei como prioridade sobre o sofrimento da família, pais de um bebê que não vai viver mais que alguns dias. Pior, não vai sobreviver, afinal ele não possui sequer consciência de seu estado.
A cobra defende que a mãe deve carregar o feto até o fim, mesmo sabendo que de nada vai adiantar, que a morte dele será inevitável. Esse tipo de pessoa é completamente desprovida de emoções e não consegue enxergar as vidas que afeta quando passa sua caneta em um papel.
Recentemente lendo Death: The High Cost of Living, do mestre Neil Gaiman, notei em um quadrinho uma personagem grávida com um bottom escrito: I chose to have a baby, but I'm glad I had a choice. Perfeito, era isso que eu precisava falar. Não sou a favor do aborto, sou a favor da liberdade suprema do indivíduo. Cada um é dono de seu próprio corpo, não importando de maneira nenhuma a conduta moral da maioria religiosa ou do estado.
Se você é católico, espírita, protestante, neo-liberal ou comunista, o problema é todo seu. O corpo é meu e nele mando eu. Quando o doutor José diz que (...) quem autoriza matar se coloca acima de Deus (...), tem toda razão. E isso é certo. No que se refere ao meu corpo, meu destino, minhas dores e minhas alegrias, eu estou acima de Deus.
Voltamos à nossa programação normal.
Quando o choque tinha passado e eu já começava a tentar ouvir a músicas das garotas, a estrela desse post começou a praguejar: Where's my pizza? I ordered a pizza!. E o entregador subiu ao palco com a encomenda. Ela deu uma dentada em alguma coisa que estava lá dentro, e eu conheço pizza o suficiente para afirmar que não era uma, e virou o pobre entregador de costas, descendo suas calças até os pés.
Quando eu imaginei que ela fosse realizar a famosa manobra do pingüim, o rapaz pôs-se de quatro e ela com seu inseparável tubo de creme lambuzou os glúteos pálidos do nem tão inocente coadjuvante. E, óbvio, lambeu tudo com o moço gargalhando, afinal aquilo devia fazer cócegas realmente.
Daí para frente até o fim do show nada mais surpreendeu muito. É certo que ela misturou chantilly com alguma substância vermelha e viscosa, untando seu corpo todo, que não era pequeno. Mas o clímax já tinha ocorrido e todos estavam ansiosos pela próxima banda, que veio logo a seguir.
(continua na próxima edição)
Segunda-feira, Julho 26, 2004
Sempre que algum gringo notava meu gosto musical, me aconselhava o Bottom of the Hill. Enrolei dois meses como de praxe nas coisas importantes e sábado fui-me, com a cara e a coragem.
O lugar é ótimo, boa cerveja, decoração pirada, tipos malucos, palco bacana e ótima qualidade de som. Senti-me em casa por assim dizer. Mas nada teria me preparado para os espetáculos.
Primeiramente, Von Iva. Uma bela vocalista que fazia por merecer seu posto. Dona de uma voz de cantora gospel negra, nenhuma guitarra a acompanhava, apenas um baixo (no volume alto) e um teclado (no volume TRIO ELÉTRICO EM SALVADOR NO SÁBADO DE CARNAVAL) e uma bateria agressivamente executada. Ótimas músicas, procure por mp3 no site. Não garanto a qualidade dos arquivos, mas voltando ao assunto, a cantora esbanjava de seus dotes musicais e físicos, com uma saia que não usou muito mais que alguns centímetros de pano para ser fabricada. Dizem as más línguas que era só o que ela vestia entre o umbigo e o joelho, mas isso já entra na seção de boatos.
E aí começou o desfile de aberrações.
A anoréxica acima é a vocalista das The Glamour Pussies, um nome que sugere o tipo de espetáculo que sucedeu-se. Ela entrou de camisola (XXXGGG) e foi aos poucos livrando-se do peso extra, com o perdão do trocadilho. Arremessou alguns comestíveis ao público, que prontamente devolveu à ela. Ela não se fez de rogada: don't waste it guys, e engoliu lambendo os beços, seja lá o que era aquilo.
Com chantilly em suas protuberâncias geléicas, a cantora que não canta esfregava a cara dos menos afortunados à frente do palco, fazendo o tradicional lava-cara, mas sem o prazer normalmente associado à atividade. Eu vomitaria em seus seios, mas contive-me apenas gargalhando alto. E foi aí que ela pediu a pizza...
(continua na próxima edição)
Sexta-feira, Julho 23, 2004
Alguem chegou aqui procurando por anencefálico + foto.
Pois bem, vou facilitar as coisas para o visitante:

O que é melhor que um filme da Morte, personagem de Sandman, de Neil Gaiman?
O diretor do filme ser o próprio Neil Gaiman.
Bom demais para ser verdade? Leia mais aqui
Quinta-feira, Julho 22, 2004
Por quais razões obscuras a palavra mesma é dita como mêsma enquanto merda sai como mérda?
Caso fosse culpa do R que apenas achamos na merda, então terça seria térça.
Ou será que é tudo a mesma merda?

Quarta-feira, Julho 21, 2004
A propaganda na américa do norte é horrenda, sem exageros. Ligo minha televisão.
A garota se esconde atrás do sofá, de cócoras, luzes apagadas. O rapaz entra no recinto, as luzes se acendem, a garota e outras pessoas surgem cantando parabéns. O locutor diz que se você, garota moderna, sofre de odores fortes nas partes íntimas causados pelo suor, use o novo absorvente que evita esse problema.
Terça-feira, Julho 20, 2004

Primeiro, o CD não é feliz. Não é para ouvir lendo um livro, cozinhando, conversando com os amigos ou tomando uma cerveja. Não se coloca no carro indo para a praia, nem em uma festa. É música para se ouvir, e com atenção. É hipnotizante, minimalista, cuidadosa e muito, muito rica. É uma das minhas bandas preferidas não pela criatividade, pela técnica, mas pela sensibilidade. Por conseguir fazer com que eu desligue, esqueça meu corpo e os outros quatro sentidos e apenas ouça.
Mogwai é terapia, e eu vivo precisando disso.
Segunda-feira, Julho 19, 2004
Ah, mas conheci alguns lugares de filmes bons também:
Sexta-feira, Julho 16, 2004
Clique aqui para ler a entrevista do João Gordo na Caros Amigos. Muito, muito bom. Grande, sim, mas interessantíssimo. Impressionante a coerência daquela figura. Deixo aqui uns trechos para os mais preguiçosos.
1)
O Luiz Montes que era diretor da Escolinha do Barulho me ofereceu um dinheiro exorbitante e falou: "além do seu salário de R$ 40 mil reais...", e eu: "quanto?!", e ele: "é, 40 mil reais, você vai ter mais 20% de disque 900 e no fim do mês pode chegar a 120 mil reais". Na época, eu ganhava R$ 3 mil reais e fiquei rindo na cara dele numa cobertura da Vila Olímpia, acho que baixou o espírito do caboclo doido e falei um monte: "já sou muito louco, se você me der essa grana, vou morrer, cara, não quero essa merda".
2) (sobre quando ele pensou em dilacerar Dado Dolabella)
Nesse momento, não sei o que deu em mim, acho que acendeu uma luz e ouvi uma voz assim: João Gordo, meu filho, não faça isso porque você vai se foder. Jesus falou na minha orelha. Deus falou, cara.
3)
Bom é assim, o Paulo Lima da revista Trip deu uma definição legal para mim, falou que sou uma mistura de Sid Vicious com Didi Mocó.
4)
Odeio teatro. Gosto de cinema, dessas coisas americanas, Harry Potter, Matrix. Para mim, o filme tem que ter sangue, machadada, capeta, Vietnã e ET, a mistura disso é o filme perfeito.
Quinta-feira, Julho 15, 2004
... comprei um Playstation 2.
Legal demais esse paradinha. O console é feio que machuca os olhos, mas esqueça, o que interessa são os jogos. Já dei um fim ao Homem Aranha (na verdade o fim foi para o Duende Verde) e estou em uma missão importantíssima como Sam Fisher. Bom demais, fazia muito tempo que eu não jogava tanto videogame.

Quarta-feira, Julho 14, 2004
Vez ou outra eu andando por aí, indo da casa ao trabalho ou até o local onde vou comer minha ração diária, eu tenho alguns lampejos de criatividade. Penso em alguma coisa engraçada, interessante. Ah, isso irá para meu blog!, mas eu pouco tempo os abutres passam e levam tudo com eles.
E eu fico assim, sem ter o que falar.
Segunda-feira, Julho 12, 2004
1 : Peixe Grande
2 : Homem-Aranha 2
3 : Shrek 2
4 : 21 Gramas
5 : Diários de Motocicleta
6 : Kill Bill Vol. 1
7 : Kill Bill Vol. 2
8 : Fahrenheit 9/11
9 : Dogville
10 : Encantadora de Baleias
11 : Underworld
12 : Elefante
13 : Alguém tem que Ceder
14 : Tróia
15 : 33
16 : Paixão de Cristo
17 : Revelações
18 : Sexo, Amor e Traição
19 : Em Nome de Deus
20 : Swimming Pool
21 : The Chronicles of Riddick
Homem Aranha cai em segundão dada minha afinidade com o aracnídeo. Não vamos discutir se o filme é profundo ou tocante ou inteligente, é simplesmente uma lista do que me deu mais tesão de assistir. Sam Reimi arrebentou e merece.
Também tem Fahrenheit 9/11 ali em oitavo. É um filme interessante, ainda mais quando você assiste na casa do capeta. Dava para ver a reação na cara das pessoas, mesmo na sala escura. A garota ao lado chorou horrores, todos riram muito e aplaudiram no final. O problema é que Moore não deixa espaço para questionamentos, cospe tudo na cabeça e molda a opinião de muita gente influenciável.
Bom, melhor assim.
Sábado, Julho 10, 2004
Sexta-feira, Julho 09, 2004

Um filme sobre quadrinhos que realmente parece uma história em quadrinhos. Genial
Um filme sobre um artista sem pretensões ou carisma que consegue cativar e ser muito, muito bom. Excelente.
Quarta-feira, Julho 07, 2004

2

Saquei que o cara era CB no primeiro dia de curso, pelas olheiras e o penteado.
3

Peter não poderia estar melhor. O verdadeiro perdedor, o rapaz é tão azarado que nem seus poderes resolvem sua vida, e ainda a complicam ainda mais. Sam Reimi tratou o filme tão bem quanto o melhor fã poderia tratar. Nunca fui consumidor voraz dos HQs do Aranha, mas sempre nutri uma identificação nervosa com a figura. Ao fazer um filme sobre Peter Parker, o diretor enfiou uma flecha no coração de cada fã. Fisgou-nos pelo sentimento. Homem-Aranha que nada, nós gostamos mesmo é de ver Peter se dar mal.
E Octopus é um colírio. Atuação perfeita e cenas de luta que valem ser revistas quantas vezes for preciso. Insisto novamente na cena do trem, ela entrou para minha história. O único jeito de fazer um vilão melhor na terceira parte será convocar o Homem Areia, que até rima com aranha. Aí o bicho vai pegar. O Venon seria audacioso, mas a história tera que ser entortada demais para usá-lo. Ou o Rhino? Hum....
Perfeito. E eu que reclamava dos gringos batendo palmas no fim dos filmes, fui um dos únicos da sala a fazê-lo.
Terça-feira, Julho 06, 2004

O presidente do fã-clube do Carlinhos Brow Jr., Cristiano Montasse, do alto de seus 16 anos deu uma justificativa : "Alguém fica falando bobagem na sua orelha, você vai fazer o quê?". Claro, dar uma cabeçada e um soco, não existe outra alternativa conhecida.
Já Rodrigo Amarante, tentando esfriar a situação, foi mais espirituoso : "Não estamos aqui para julgar ninguém. Cada um faz o que quer com sua carreira". Espero que todos tenham sacado o trocadilho.
Lamentável. Se fosse o contrário, eu teria uma reação ainda pior, afinal sou chegadão nos Hermanos. Até agora eu só desprezava o rapaz, agora eu odeio ele.
O lado bom é que acabei de adquirir meus tíquetes para ver o Homem Aranha 2. Horray!
Sexta-feira, Julho 02, 2004

Quinta-feira, Julho 01, 2004
STF autoriza aborto em caso de feto sem cérebro.
Boa. Mais um passo ao futuro onde cada um tem o pleno domínio do próprio corpo e faz o que bem entender com o que lhe cabe.
Seria interessante se a decisão de tão supremo tribunal fosse retroativa. Assim era só jogar uma idéia na orelha da mãe do João Kleber para ela optar por exercer seu direito.

Descobri domingo um brinquedo sensacional. Você senta, escolhe uma das músicas da lista (são muitas, e boas) e acompanha na bateria. Eles fazem uma equalização maneira que deixa a bateria original baixinha, só pra vc sacar a pegada.
Claro que não é uma bateria de verdade, só um daqueles drum pads, mas a catarse é parecida. Clique aqui com seu botão direito, salve, e veja meu desempenho como John Bonham.
Eu não erro certo? É um improviso. São 40 longos megas mas pra quem tem bunda larga isso não importa. O espaço é cortesia, sempre, de Klip.

