Terça-feira, Março 30, 2004

Tsé-Tsé

A mãe de Virgílio não teria dado um nome melhor ao seu filho mesmo se soubesse quanto ele seria vítima do mal do sono, ou da falta dele. Passava noites em claro pois sua mente não conseguia parar de ligar idéias com idéias e criar uma rede infinita de possibilidades.

Ouvia um carro buzinar quatro quadras longe e imaginava um namorado chamando sua pequena, que se arrumava apressada para não fazê-lo esperar, mas já fazendo. E ele ouvia no rádio que um acidente acabara de ocorrer na estrada que liga sua cidade à vizinha, e as sirenes no horizonte sonoro e escuro confirmavam sua teoria.

Ou seria um velho, bisavô de família, castigado pelo apodrecimento que chegará para Virgílio inclusive. Velho esse que cedeu à pressão do tempo e está indo descobrir a verdade suprema, porém alguns chatos invejosos insistem em segurá-lo em sua casca terráquea e privá-lo da luz. O choro no apartamento de cima prova que tem razão.

Mas também poderia ser um choro de alegria. O filho que anos atrás foi conhecer o mundo voltou cheio de novidades e um cabelo diferente. Tatuagens também, e algumas manias que o pai não contará aos amigos, mas no fundo todos saberão e falarão em palavra baixa quando o companheiro de dominó não estiver na praça cheia de árvores. O despertador tocando confirma que Virgílio tinha razão de novo.

Papo de Café II

A copeira veio de algum lugar da Bahia. Espanta-se com a quantidade de café consumida por nós, mas mais ainda com os gringos que abrem diversas latas da água suja do capitalismo durante o dia.

Hoje entrei em seu reino para dar de comer ao meu bebê-úlcera e um rapaz a alertava sobre os perigos de ela comer aquele lanche que, suponho, já estava meio velho. Mas ela com a sabedoria que só quem precisa dela tem, rebateu:

"Rapaz, perigo é se eu não comer.

Segunda-feira, Março 29, 2004

Passando vergonha

A Revista Zero fez uma lista com os cem discos que você precisa ter para não passar vergonha.

Tá, vou repetir. Cem discos que você precisa ter para não passar vergonha.

Considerando que tenho doze da lista, eu seria rechaçado, ridicularizado numa festinha indie. Quem sabe a partir de hoje para entrar na FunHouse, as pessoas sejam obrigadas a cantar um trechinho aleatório da lista.


- "Idade por favor ?"
- "Vintecinco"
- "Pode cantar o refrão de Toys and Flavor por favor?"


Nesse caso eu teria dado sorte, mas as chances são pequenas. Meu Deus, que vergonha. Fico até constrangido de admitir isso aqui, em público.

A surpresa é que entre tantos cachecóis, lá está ele, um discão que adoro e achava que era um dos poucos: Pantera : The Great Southern Trendkill .

É um passo para a aceitação social. Mas eu juro, eu jamais compraria um disco do Manowar (levanta, faz cara de maul, levanta os braços e segura o pulso o direito com a mão esquerda).

Sexta-feira, Março 26, 2004

Zap

Ontem treinando minha técnica avançada de trocar rapidamente de canais sem assistir nada, dei de cara com um acorde conhecido. Era um comercial da Rede... Rede... TV? Vida? Acho que TV. Pois bem, apareciam fotos de acidentes em preto e branco e a melodia no meu subsconsciente: "você conhece isso... você gosta disso...". Aí entrou a bateria e pimba!


A banda era Mogwai e o som, 2 rights make 1 wrong.

Tive o prazer de conhecer o Mogwai em sua rápida passagem pelo Brasil, poucos anos atrás. Nunca tinha ouvido falar, li em algum lugar que eles fariam um único show no SESC Vila Mariana, baixei alguns sons no Kazaa (bons tempos que ele funcionava no meu trabalho), chamei o Gabaiel e lá fomos.

Foi o show mais ensurdecedor que já ouvi. O som não é pesado, mas convenhamos, são 3 guitarras que juntas conseguem machucar uns tímpanos. Daria para dar som no Credicard HELL mas o local era 10 vezes menor. Apaixonei. O final foi uma piração do tipo cada um aí faz o que quiser, mas por favor tenham coerência e durou uns 15 minutos. Boa parte do público abandonou o teatro antes do fim, não foi bolinho. Apaixonei de novo.

Mas vim aqui para lamentar que perdi o CD acima. Sobrou apenas o Ten Rapid na coleção, mas meu xodó era o Rock Action mesmo. Se voce sabe onde o deixei, favor me avisar.

Criança doente.

Quinta-feira, Março 25, 2004

$$$ A Paixão $$$

Clique.

Our mission is to reach the world with the message of hope by creating jewelry and gifts of exceptional quality, which will inspire people to express and share their faith.

Faith?
Faith my ass.

E chega não falo mais desse filme bunda.

Quarta-feira, Março 24, 2004

O Amor nos Tempos do Cólera

Coisa bem diferente teria sido a vida para ambos se tivessem sabido a tempo que era mais fácil contornar as grandes catástrofes matrimoniais do que as misérias minúsculas de cada dia. Mas se alguma coisa haviam aprendido juntos era que a sabedoria nos chega quando já não serve para nada.

Meus amigos, sensacional. E ainda aprendi a ler com mais calma, sem minha tradicional afobação. Como colocar aquele pedaço de chocolate meio-amargo na boca e deixá-lo derreter, saboreando o momento para depois ele apenas escorregar pela sua garganta.

Gabo é rei.

Big Fish of the Christ

Escrevi uma resenha sobre a Paixão de Cristo e ela está no site da revista. E já está gerando discórdia, ô coisa bonita de se ver!

Terça-feira, Março 23, 2004

Extra! Extra! Extra!

A Casa no Mato está de volta! Depois de um longo e tenebroso inverno, os primeiros raios de sol alcançam a casa, e MariMari está de portas abertas.

Atualizem seus links! Avisem seus amigos! Façam spam! Rabisquem na areia! Só não conta pros caras do blogger tá?

Os filmes de 2004

Não quero falar sobre o caráter religioso do filme A Paixão de Cristo. As escrituras têm dois mil anos de idade e foram interpretadas durante todo esse tempo por milhares de pessoas. O assunto me incomoda, já que a própria religião (qualquer uma) me incomoda. Eu mesmo me recuso a responder qualquer pergunta sobre "você acredita?". Eu não acredito, nem duvido. Deixo acontecer. Vivo minha vida como se nada daquilo existisse, e se faço o bem, ou pelo menos deixo de fazer o mal, é porque acredito que é certo, não por fé nem por medo de ir para o inferno levar alfinetadas de um capanga vermelho, chifrudo e rabudo. E vocês sabem, os que frequentam igrejas por pura fé, são poucos. O povão tem mesmo é medo de se foder tanto do lado de lá como do lado de cá.

Mas eu vim aqui para explicar porque o filme entrou em sétimo na minha lista:

1 : Peixe Grande
2 : 21 Gramas
3 : Dogville
4 : Encantadora de Baleias
5 : Alguém tem que Ceder
6 : 33
7 : Paixão de Cristo
8 : Revelações
9 : Sexo, Amor e Traição
10 : Em Nome de Deus
11: Swimming Pool

É nojento. Asqueroso. Deixa o Massacre da Serra Elétrica no chinelo. Mel Gibson usou os atores, o figurino, as locações, dois pedaços de madeira, três pregos e um caminhão-pipa repleto de sangue. Falo aqui do cinema como arte, não como documentário, que o filme não é.

Já tinha reclamado da mesma coisa em Amarelo Manga. Nunca, em nenhuma circustância, é preciso mostrar violência para representá-la. O filme é pancadaria do começo ao fim. Não há quase ensinamentos ou mostra da paixão de Cristo, apenas a dor que ele sentiu. Deveria então ter outro nome.

Se Mel Gibson quis mostrar ao mundo apenas como Jesus sofreu, fez bem. Se quis fazer arte, disseminar a palavra, convocar fiéis ou garantir seu lugar no reino do Homem, fez feio.

Agora que desabafei, posso começar a resenha.

Ah, se você clicar nos comentários só para criticar minha posição (não) religiosa, vá fundo. Dou-me a liberdade de apagar seu comentário se eu quiser.

Segunda-feira, Março 22, 2004

Pixies: eu vou

Ainda não acredito que consegui comprar.

Quinta-feira, Março 18, 2004

A boa morte

Deu no jornal que passa pela manhã na Globo enquanto visto meus sapatos que o corpo do brasileiro que morreu nas explosões espanholas chegou ao Brasil. Na pequena São Tomé, no interior da puta que o pariu, o corpo foi velado. A fila para ver o presunto era longa, pessoas soluçavam, amigos lamentavam, e foi assim a noite toda. Sim, a fila durou a noite toda. A repórter anunciou emocionada que os cidadãos não se importavam em ficar tanto tempo de pé para se despedir do ilustre patrício.

Eu tenho a certeza fria que se o rapaz, que era pedreiro em Madri, tivesse morrido de forma anônima, ninguém ia notar. E se, de repente, o morto acordasse, não iria lembrar de tantos amigos.

E você? Compartilha?

Quarta-feira, Março 17, 2004

Juro que é verdade

Desço para o estacionamento, no orelhão está Zé do Caixão, à paisana.
Subo a Teodoro, Tor Zanatas cruza a rua correndo, com uma sacolinha da FNAC.
Paro no farol, o carro da frente, um taxi de São Paulo, tem um colantinho da banda de amigos meus, de Jundiaí.

Isso é para eu aprender a nunca mais sair sem a máquina, maldição!

Os filmes de 2004

É tarde! É muito tarde! Demorei e agora dois filmes entram na lista, 33 e Alguém tem que Ceder.

1 : Peixe Grande
2 : 21 Gramas
3 : Dogville
4 : Encantadora de Baleias
5 : Alguém tem que Ceder
6 : 33
7 : Revelações
8 : Sexo, Amor e Traição
9 : Em Nome de Deus
10: Swimming Pool

Alguém tem que Ceder é bacana. No começo achei que iria ser um filme legalzão, mas o caldo desandou e virou "comédia-romântica", meu grande karma.

33 é um documentário, difícil de colocar na lista. Ficou atrás do outro porque achei um filme meio sem propósito, sei lá. Gostei, mas não deu tanto prazer. E como essa é uma lista subjetiva e pessoal (gostei X não gostei), ele se deu mal. Mas artisticamente é muito bom.

Terça-feira, Março 16, 2004

Velho amigo

De : Jean César Marcelino
Enviado : quinta-feira, 11 de março de 2004 18:19:04
Para : eusouorafa@hotmail.com
Assunto : olá,velho amigo!

putz,duas da manhã,eu sem sono,e encontrei seu blog por acaso.voce deve se lembrar de mim,sou o Jean,eu costumava me esgoelar até ficar rouco no NO DEAL!Hoje,eu já não canto(grito) em bandas HC,to casado e vivendo no Japão,trabalhando feito louco,mas um dia eu volto,quem sabe a gente não se encontra pra tomar uma cerveja e relembrar dos velhos (e bons) tempos ,até lá,entra em contato ,cara,vamos conversar.SAYONARA,BATATA!


Lembro? Claro que lembro. Jean era figura carimbada no lendário bar do bilé. Se esgoelava no vocal do No Deal, banda que ele dizia com orgulho nunca ter tirado um cover (e sim, eu teria muito orgulho de dizer isso) mas dizia que era por incompetência. Bobagem, era uma puta banda legal. Make my day!

O cara é gente finíssima, e vou cobrar essa cerveja citada. Não só ele como a banda toda, que até um tempo atrás ainda existia. Sinto falta dessa época, era tudo muito mais fácil, eu tocava em troca de cervejas e tinha mais cabelo.

Mais um prazer que esse brógue me proporcionou. Se soubesse, teria começado antes.

Segunda-feira, Março 15, 2004

Promessa

Se rolar, eu me compro um violão novo.

I am the great cornolho


I came from lake titicaca.
Are you threatning me?


Sexta-feira, Março 12, 2004

Publicador (alerta: post semi-geek)

Agora é oficial, estou desenvolvendo um pograminha de publicação de posts. Sim, um blogger só meu. Pretendo me mudar daqui no futuro e poderia até usar o tal do Movable Type, mas sacumé, quero ter o meu.

Quando terminar vou disponibilizá-lo gratuitamente, então se você tem alguma sugestão de características, tipo "queria que ele tivesse um botãozinho, que quando eu apertasse, todos os comentários novos só entrariam no ar depois de minha aprovação..." por favor, faça sua sugestão por email ou nos comentários.

Ele está sendo feito em Java/J2EE mas sem muitas frescuras. Apenas alguns patterns e servlets, não precisa nem de Application Server, um Tomcat já funciona. Ele usa MySQL que é de grátis, então não tem problema de licença de software.

Ah, se alguém se oferecer para fazer um leiaute legal, seria de imensa valia. Por hora todas as páginas estão monocromáticas e desordenadas.

Aguardo sugestões.

Quarta-feira, Março 10, 2004

Alguém tem que Ceder

Mais uma resenha. Dessa eu gostei.


Urbanoses bucólicas


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Cidade maravilhosa. Tanta chuva deveria servir para alguma coisa.

A noite me presenteou com uma lua cheia linda, aterrorizante. Na procura de um ângulo melhor acabei perdendo-a, e jamais me perdoarei por isso. Na próxima não economizarei bits.

Terça-feira, Março 09, 2004

Los Hermanos - DirecTV Music Hall em 06/04/2004



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Não foi meu primeiro show, nem o segundo, mas mesmo assim ainda me emociono com a banda. Nenhuma novidade no repertório, apenas a ausência de versões e o acréscimo de "Assim Será", cujo finalzinho impressionante foi trocado por um diferente, com ataques de metais e certo peso.

De resto, nenhuma novidade. Muito, mas muito Amarante. Acho que ele cantou até mais que o Camelo no fim das contas, será? Tudo bem, eu prefiro seu jeito malandro mesmo. Nada contra o "principal", pelo contrário, tudo a favor, mas se for medir o ruivo ganha por meio nariz.

A grande surpresa ficou por conta da abertura pela banda do Circo Garcia. Sim, a banda do Circo Garcia. Velhotes fofuchos tocando em cornetas e batuques várias marchinhas de carnaval e - pasmem - Anna Júlia. Sim, ela, a famigerada. E não é que foi legal? A galera delirou, gritou, esperneou. Cliquem aqui para baixar o vídeo e conferir.

Ainda pude gravar um vídeo de "Tá Bom", cliquem aqui para vê-lo.

Propaganda: O vídeo foi disponibilizado em um espaço cedido pelo Klip do amigo Junão. Não tem o seu? Faça já.

Segunda-feira, Março 08, 2004

Parabéns mulheres

Vocês são demais, merecem seu lugar ao sol que - no meu mundo - já está devidamente conquistado.

Agora, cá entre nós, bem baixinho. Eu acho isso uma palhaçada. Porque não inventam o dia do careca, do banguela, da gordinha, ou ainda, do homem branco e hetero? Para minha cabecinha fraca, dar um dia para as mulheres, é dar os outros 365 (ano bissexto, imbecil) para os homens. E isso não é justo.

Eco 2004

Se São Paulo tem uma grande diversidade cultural, o domingo de tarde no Ibirapuera é o zoológico. Ontem pude conferir o Avon Women In Concert onde a orquestra filarmônica de mulheres fazia pano de fundo para o suíngue de Paula Lima, as canções tema de novela de Zélia Duncan e as novas versões das mesmas músicas de sempre de Rita Lee.

Entre vendedores de Dreher, licor, vinho e Red Label com energético (eu juro que é verdade), cães maravilhosos como Astro e o Berghwotskovtski from the Mountain, garotas descoladas e manos do capão, e sob um sol que só perdia em força para a nuvem negra que se aproximava, presenciei o desfile de tipos exóticos com uma trilha sonora nada adequada.

"A maestra do baguio é mór gostosa mano", exclamou um rapaz enquanto seu amigo de dead locks azuis bolava um dubão. Não me corrijam, eu disse dead locks de propósito, foi uma piada, não pescou? Azar.

Não tem escapamento. Em São Paulo você pode furar sua cara toda, tatuar cada centímetro, fazer malabarismos com seu cabelo. Você nunca será o mais esquisito da turma.

O show? Foi fraco. A única lá que nutro alguma coisa boa é Paula Lima. Talvez um pouco de Rita Lee pelo seu passado Mutante, mas essa Rita se foi faz tempo. Foi um show de abertura de novela. De domingo à tarde mesmo. Mas eu nem esperava mais que isso. Valeu pelo sol e pelo Dreher.

Em breve aqui: Los Hermanos e Durval Discos. Dois extremos.

Sexta-feira, Março 05, 2004

A Passion Play

Dessa vez Ian não me escapa.

Well, I'm all for leaving and that being done
I've put in a request to take up my turn.
In that forsaken paradise that calls itself Hell
Where no one has nothing and nothing is well.


A graça desse trecho está no "Hell". Ian canta com uma segunda voz ao fundo, suspirando a mesma palavra, como se fosse o próprio tinhoso em seu cangote. Dá para sentir o bafo quente - deixe-me conferir se não tem ninguém atrás de mim, não, não tem - e o arrepio no pósbraço (logo depois do antebraço).

Gênio. Eu vou no show.

Quarta-feira, Março 03, 2004

Oscar

Saiu outra matéria minha na Revista Paradoxo, dessa vez sobre o Oscar.

Nem tinha muito o que falar.

Terça-feira, Março 02, 2004

Poesia faz chorar

Não é de hoje que eu acho o Chorão um imbecil de marca maior, mas faltava-me provar isso por A+B. Pois bem, eis o refrão de sua nova canção:

Eu não sei fazer poesia, mas que se foda.
Eu odeio gente chique, eu não uso sapato, mas que se foda.


Em poucas linhas Alexandre Magno nos diz que não se preocupa com a qualidade de seu trabalho. Ele não sabe escrever, mas não tem problema, não é daí que vem seu dinheiro. Na mesma canção ele profere alguns rosnados que soariam como "aeee aeee aeee aaeeeiaaa" que são completamente desafinados. Baseado nisso concluímos que ele também não sabe cantar sem um software entre sua garganta e nossos ouvidos. Concluo então que ele não sabe fazer o que vende, e o motivo de vender tanto não é o objetivo dessa dissertação. Um estilo que ele admira, o RAP, é uma sigla para Ritmo e Poesia, em inglês. Mas ele não sabe fazer poesia. As coisas começam a clarear.

Também diz que odeia gente chique, mas é contratado de uma enorme gravadora com dezenas de engravatados por trás. Os seguranças de seus shows usam sapatos e muito mais. O garçom que humildemente o serve também. Mas ele não liga para isso. Que se foda, como ele sabiamente diria.

Em dado momento ele faz uma variação do complexo tema, dizendo: "Eu odeio hipocrisia, eu não uso sapato, mas que se foda". Nesse preciso momento, provavelmente inspirado pelo blog de alguma garota de 14 anos, Alexandre Magno diz que não gosta de hipocrisia. Vemos aí um grande paradoxo, não vemos Charlie?

Mas sim, existem instrumentos por trás de sua burrice. Não só a banda, de bons músicos, que faz um bom rock adolescente (de verdade, não é ironia).

Agora gostaria que ele me respondesse uma pergunta. Ele tem um filho, ou filha não tenho certeza. Se sua estupidez não fosse um produto rentável, se ele fosse um Ninguém José, ele usaria sapato para garantir o bem estar de sua família? Ele usaria camisa para trabalhar para gente chique?

Mas não há de ser nada, sábado tem Los Hermanos no DirecTV, eu vou, e Chorão não vai nem passar perto dos meus pensamentos.

Segunda-feira, Março 01, 2004

Peixe Grande

É do Tim Burton, é belo, é emocionante. Eu ri, chorei e fiquei feliz. É delicado e feito com amor. Talvez não seja o melhor filme que vi esse ano, tecnicamente falando, mas foi o que mais me deu prazer de assistir. E por ter mexido tanto comigo, vai direto para o primeiro lugar.

1: Peixe Grande
2: 21 Gramas
3: Dogville
4: Encantadora de Baleias
5: Revelações
6: Sexo, Amor e Traição
7: Em Nome de Deus
8: Swimming Pool