Sexta-feira, Janeiro 30, 2004

Fotinhos dos atores caros no pôster é abominável.
Quer dizer então, São Paulo, que em cima de tantas nuvens tinha um sol? Hum....
E precisava me mostrar isso quando eu estava parado no trânsito com um carro sem ar-condicionado?
Who loves the sun
Who cares that it makes plants grow
Who cares what it does
Since you broke my heart
Pa Pa Pa Pa
Who loves the sun
Pa Pa Pa Pa
Who loves the sun
Pa Pa Pa Pa
Not everyone
Pa Pa Pa Pa
Who loves the sun
Quinta-feira, Janeiro 29, 2004
1: 21 Gramas
2: Dogville
3: Sexo, Amor e Traição
4: Em Nome de Deus
5: Swimming Pool
Dogville entra direto em segundo lugar deixando seus concorrentes comendo poeira. Só não ganhou de 21 Gramas porque... porque...

Faça OrbScan, eu recomendo. Por mim, eu faria todo dia.
Quarta-feira, Janeiro 28, 2004

O anúncio do show causou furor, já resgatei alguns discos e daqui até lá vou revisá-los minuciosamente. Tomara que só role sons antigos.
So you ride yourselves over the fields and
you make all your animal deals and
your wise men don't know how it feels
to be thick as a brick.
Terça-feira, Janeiro 27, 2004
Quando eu era criança pequena em Jundiaí, havia um poema pichado no muro de uma casa perto de onde eu morava que dizia:
Jundiaí, cidade benta
Fede quando venta
Chove quando esquenta
Puta cidade lazarenta
Agora, na vida adulta, mudo-me para São Paulo, e o verão traz a chuva, o frio e alguns alagamentos. Começo a achar que o problema sou eu.

Segunda-feira, Janeiro 26, 2004

19 de março - ATL Hall, Rio de Janeiro, Brasil
20 de março - Credit Card Hall, São Paulo, Brasil
21 de março - Credit Card Hall, São Paulo, Brasil
23 de março - Gran Rex, Buenos Aires, Argentina
24 de março - Gran Rex, Buenos Aires, Argentina
25 de março - Gran Rex, Buenos Aires, Argentina
26 de março - Estadio de Chile, Santiago, Chile
29 de março - National Auditorium, Cidade do México.
... que quase traz uma atração duvidosa.
Ex-Jethro Tull muda de sexo
David Palmer, ex-tecladista do Jethro Tull, fez uma cirurgia para mudar de sexo. Esta informação foi divulgada pelo site Ananova. Agora o cara atende pelo nome de Dee e, no lugar da longa barba, aparece com uma vasta cabeleira loira. O músico contou que o desejo era bem conhecido no meio musical, mas a decisão só foi tomada depois da morte de sua mulher, Margaret, em 1995. David, inclusive, já foi guarda da Cavalaria Real do Reino Unido e agora prepara uma carreira solo.
Uma dica de Linão.
Chego ontem em casa depois de ver Dogville, ainda sob efeito do filme. Enquanto escovo os dentes a TV fala sozinha:
- "E você acha que o hip-hop representa sua geração?"
- "Sim, claro, o hip-hop..."
Porra! O cara acha que algum estilo de música, algum filme, alguma moda, algum penteado, slogan, comida, pensamento, filósofo, escritor ou a putaquepariu pode representar uma geração inteira? Queime! Troca de canal, Ana Maria Braga se despede de Ney Matogrosso, quando ele diz:
- "É gente, São Paulo é assim, quando você faz um amigo aqui, ele é pra sempre...", virando-se para a câmera e sorrindo.
Desliga essa merda.
Sexta-feira, Janeiro 23, 2004
(Lupicínio Rodrigues)
Esses moços, pobres moços
Ah! se soubessem o que eu sei
Não amavam, não passavam, aquilo que eu já passei
Por meus olhos, por meus sonhos
Por meu sangue, tudo enfim
É que eu peço a esses moços que acreditem em mim
Se eles julgam que a um lindo futuro
Só o amor nesta vida conduz
Saibam que deixam o céu por ser escuro
E vão ao inferno, a procura de luz
Eu também tive, nos meus belos dias
Esta mania que muito me custou
Pois só as mágoas que eu trago hoje em dia
E estas rugas que o amor me deixou
Quinta-feira, Janeiro 22, 2004
Gírias são ótimas, são a prova da flexibilidade da língua e também funcionam como um código interno, um localizador de personalidades talvez. Conhece-se muito de alguém apenas pela maneira que ela o cumprimenta, seja um tradicional e descolado Falaí, um malandro Qualé?, um formal Olá ou um disposto Pois não?.
E adoro mesmo as gírias mais inusitadas. Segue aqui uma pequena lista, se você conhece alguma, coloque aí nos comentários, tentarei fazer uma compilação das melhores.
Miguelar: regular, fornecer pouco ou não oferecer. Ex: "Ei, vai miguelar essa paçoquinha?".
Caixa-Preta: diz-se da pessoa que abusa de entorpecentes e tem sua memória recente afetada, como o rapaz que levanta para ir ao banheiro e entra na cozinha. Ex: "Fulano é móór caixa-preta...".
Chegar chegando: quando a pessoa adentra o recinto causando furor, chamando a atenção de todos os presentes. Ex: "O cara chegou chegando na festa.".
Papo-Aranha: tentativa de enrolação, envolver a vítima com um papo até imobilizá-la. Ex: "Fiquei a noite toda jogando um papo-aranha nela...".
Agora é com vocês:
A dica veio da Carla: existem chances do Pixies voltar e vir ao Brasil.
Seria um show e tanto, histórico, dos que os ingressos acabam em frações de segundos. E eu provavelmente estaria lá, babando.
Quarta-feira, Janeiro 21, 2004
Pato Fu e Los Hermanos lançam dvds este ano.
Vai ser uma íntegra de um show do Ventura, óbvio que irei adquirí-lo. Resta saber qual show será. Eu apostaria no Canecão do RJ, mas uma ponta de esperança diz que pode ser o show do DirecTV, em SP, que foi perfeito.
Mas, essa mesma ponta de esperança dizia que o Frodo iria morrer.
Pois é. Denão vai ser papai. Lininha vai ser mamãe.

Vários amigos meus já passaram por isso - sinal da idade - mas esse foi um caso especial, por vários motivos.
Fui eu quem apresentou os dois, naquela fatídica noite. Foi pá e bola. Aliás, um caso similar foi entre Gabaiel e Helô, mas isso fica para outro post. O papo agora é sobre um dos satélites mais próximos da minha vida.
Denão sempre está por perto, seja no trabalho, no estudo, na música. Foram 3 anos de colégio, 6 de faculdade, 1,5 de Promática, 2 de Tess, algum tempo de banda, várias viagens, enfim, próximo mesmo. Minha irmã tem uma filha, linda por sinal, mas ela nunca foi minha amiga, nunca conversamos sobre nada além do que se vê pois simplesmente não há assunto. Vivemos em mundos diferentes.
Mas agora é diferente, é com amigos, patrícios. As reações já começaram, ele veio me perguntar como montar um blog e provavelmente vai chorar no próximo filme mela-cueca sobre pais e filhos que assistir. Quem sabe, não duvido, vai passar a gostar de Los Hermanos, o CD ele já tem por insistência minha.
E o tempo vai passar e alguém vai nascer. Alguém que vai ter um nome, roupas, amigos, inimigos, um apelido, uma cor preferida, um machucado de bicicleta, um brinco, uma música que vai tocá-lo, um filme preferido, um livro de cabeceira, uma vocação, um talento, alguns limites, vai perder a cabeça, vai amar, odiar, chorar muito (principalmente no começo), fazer cocô na fralda, dar um uta no papai, dar o primeiro beijo, anunciar que está namorando, deixar os outros preocupados, chegar tarde em casa de mansinho, experimentar cerveja, arrumar briga, fugir de briga, conseguir um estágio, aprender a dirigir e principalmente, vai ter pais excelentes. Ah, e um tiozão aqui que vai fazer questão de ensinar o primeiro palavrão.
Aos dois desejo a maior felicidade que alguém pode ter, de coração. Sei que sou meio ausente com os filhos dos amigos, mas eu faço o que posso, que é menos do que gostaria.
E ao que virá, venha logo. Aqui é frio e seco, mas tem muita gente legal que está te esperando ansioso. Bem-vindo.
Terça-feira, Janeiro 20, 2004
Lista atualizada com o filme Em Nome de Deus. Ficando assim:
1: 21 Gramas
2: Sexo, Amor e Traição
3: Em Nome de Deus
4: Swimming Pool
Ficou quase no fim porque eu achei fraco. É bem feito, dado os recursos escassos, mas ainda prefiro o segundo lugar. Agora, cá entre nós MariMari, precisava ter chorado tanto?
Pôxa... vai ser difícil algum ficar abaixo do Swimming Pool, meu bom Deus.
A 89 FM foi um tanto infeliz em sua homenagem à cidade de São Paulo. Ela regravou a canção São Paulo, São Paulo do excelente e anônimo Premeditando o Breque, ou Premê, com vozes de cantores do fluxo principal (*) nacional.
Primeiro que a Mix FM já fez isso, com praticamente as mesmas vozes, com a diferença que eles cantaram um jingle da própria rádio que nem é tão ruim assim.
Depois que essa canção é uma homenagem sim, mas um tanto sarcástica, um humor negro como só o Premê sabe fazer. As interpretações da letra podem ser facilmente levadas para o lado ruim, apesar de não ser essa a intenção. Sei lá.
Por isso, acho que foi um belo naufrágio essa homenagem.
(*) Melhor que mainstream?
Segunda-feira, Janeiro 19, 2004
Perdi uma aposta e agora tenho que falar publicamente que o blog do Plínio é super legal e ainda devo um pacote de chocookie para ele.
Pronto.
Sexta-feira, Janeiro 16, 2004
Quinta-feira, hora do almoço. Vou até a Barra Funda entregar uma merda de uma carta ao sindicato para que não descontem mais dinheiro do meu pobre salário. Chego, vou para o fim da fila e imediatamente atrás de mim chega um rosto conhecido, em roupas estranhas. Reconheci de bate-pronto, era o Patelli.
Volto para 1993. Com 14 anos entrei no Colégio Técnico de Jundiaí, fábrica de loucos, curso de Processamento de Dados. Muitos trotes depois (que merecem um post só deles) já estava totalmente enturmado com minha classe e a do ano anterior, que era o primeiro ano do curso. Entre todos eles, uma esquisitice se sobressaía, e era o Patelli. Cabelo quase comprido, pose meio corcunda e ar blasé (finalmente usei essa palavra), roupas rasgadas, pinos de ferro, jaqueta de couro, o estereótipo do punk. Só faltava o moicano, mas isso ele resolveu rápido. Em pouco tempo - foi só o cabelo crescer o suficiente depois da raspagem inicial - estava erguida a crista loira, e lá continuava ele, para cima e para baixo, estranhamente com algumas caixas de disquetes no meio dos materiais. Rezava a lenda que ele era o fodãozinho dos computadores. Programava em C quando eu aprendia o DOS.
Seu visual não durou muito tempo. Um filha da puta obrigou ele a cortar o cabelo para poder estagiar no laboratório, ou algo do tipo, mas acabei tanto quanto conhecido dele, por um amigo em comum (Onã, você ainda lê isso aqui? Ele perguntou de você.)
Dez anos no futuro, de volta à fila, estendo a mão perguntando "Patelli?" já sabendo da resposta. Ele tombou a cabeça com um meio sorriso, e eu já adiantei que era o Batata, do Colégio. Eu mudei pacas. Daí para a frente foi uma inundação de nostalgia e novidades. Patelli largou o movimento anarco-punk de onde era um dos principais "ativistas", mas disse com um brilho no olhar que foi ótima sua época, de tudo tiramos vivência afinal. Formou-se em ciência da computação e vai casar em breve, a aliança já está lá inclusive. Trabalha com informática ainda e afirmou que gosta mesmo de tudo, não faz pelo dinheiro, ele é apenas (boa) consequência. Virou um cara maduro, mas não embrutecido. Continua o Patelli que conheci, apenas com novas aspirações.
Do tempo punk sobraram apenas boas lembranças. Mas não tem jeito. Qualquer coisa que me lembre dos meus três anos de Colégio Técnico me deixam dias com um nó, lembrando de tudo que aconteceu, tudo que aprendi - e não foi sobre computadores - e dos amigos que levei. Alguns viraram fantasmas, mas que em algum momento reencarnam e cruzam meu caminho. Nesse caso, Patelli foi um fantasma sim, mas dos camaradas.
Me despedi dele com um sincero "foi bom te ver" e um verdadeiro "a gente se vê". Eu já disse e repito, o mundo é grande mas não é dois.
.. que eu estou feliz pra caralho !!!
- "Ei! O Humberto Gessinger é filho de quem?"
Filho da puta !
Juro que achei engraçado. E eu caí direitinho.
Quinta-feira, Janeiro 15, 2004
Será que ninguém vai perguntar "Ei! O Humberto Gessinger é filho de quem?"
Quarta-feira, Janeiro 14, 2004
Apresentando Maria Rita, Jairzinho, Simoninha, Max de Castro, Tita Lima, SNZ, KLB, Wanessa Camargo, Preta Gil, Flávia Virgínia, e pra encerrar o show, Humberto Gessinger !
Contribuição de Marcello Kanai
Vez ou outra São Paulo me pega de surpresa. Semana passada chegando perto do pôr-do-sol, abri a porta de casa e dei de cara com a cidade azul. Duvidam?
Terça-feira, Janeiro 13, 2004
O bom de um ano novo é começar tudo de novo, do zero. Então começo agora a lista dos melhores de 2004, tanto na música como no cinema.
Nesse fim de semana assisti 3 filmes, então já faço um breve comentário e insiro-os na ordem.
1: 21 Gramas.
2: Sexo, Amor e Traição.
3: Swimming Pool
Conforme for vendo, vou atualizando a lista. E já aviso que ela é totalmente arbitrária e particular. Se você não gosta, foda-se, quem manda aqui sou eu.
21 Gramas é DO CARALHO. Amei, filmaço. Mas é coisa de adultos, não vá com seu espírito Pollyana ou Pequeno Príncipe. Aqui para o pior não há limites.
Sexo, Amor e Traição é aquela comédia brasileira muuuuuuuuito parecida com Os Normais. Tão parecida que tanto faz ver um ou outro.
Agora, Swimming Pool é um caso à parte. Além de ruim, é péssimo, terrível e fuleiro. Mas, se você tiver a sorte de uma ótima companhia, como eu tive, renderá muitas risadas. Muitas mesmo, das que incomodam os outros espectadores.
Vai rolar em SP e no RJ o Vivo OpenAir 2004. Um cinemão ao ar livre com clássicos e estréias, entre elas, o tão aguardado por mim: Peixe Grande.
Já se cadastrou? Não. Então entra no site e faça-o já. Está armada a barca, é só colar na banca.
Agradecimento pela dica preciosa de Mara Maravilha
Saiu mais uma resenha imparcial (ho ho ho) desse que vos escreve na Revista Paradoxo. Confiram.
Viu, eu não achei o filme ruim. Só a historinha.
Segunda-feira, Janeiro 12, 2004
Esses dias ela apareceu em casa com um CDzinho do Jacksons Five, e ando ouvido à exaustão. Coisa fina, bom mesmo, o garoto e sua família nasceram para a coisa, mas fiquei imaginando o que é ser Michael Jackson.
Veja só, ele nunca foi anônimo. Ninguém nunca perguntou seu nome, nunca uma garotinha ruiva se recusou a dançar com ele no bailinho, nunca pegou uma fila para pagar uma conta atrasada. Michael sempre foi Michael Jackson, ícone pop, antes sinônimo de sucesso e riqueza, hoje de bizarrice e pedofilia. Mas não o culpo por ser um alienígena, não há motivos para ele ser normal, ele nunca teve uma chance.
Mas o pequeno Michael, esse sim merece sua atenção.
Sexta-feira, Janeiro 09, 2004

A voz de Matthew lembra bastante a de Thom Yorke, mas não é só por isso que Muse é legal pra caralho. As guitarras são poderosas (Stockholm Syndrome) mas sabem ser suaves (Falling Away With You) e o teclado está ali, mas só até a medida certa (Sing for Absolution), como só o Faith No More saberia dosar. Tá certo, vez ou outra são onipresentes (Apocalypse Please) mas fez-se necessário. Baixo e bateria formam uma cozinha nervosinha, mas tudo com muito amor e competência. Algumas canções me causam calafrios (Time is Running Out) e outras me deixam triste por saber que estão perto do fim do disco (Hysteria). Mas tudo bem, posso começar de novo.
Muse é minha banda preferida do momento. Absolution ainda não saiu do meu toca-toca e agradeço ao Rafael Capanema por ter colocado um post ali tempos atrás dizendo que a banda era legal, e a Carla por ter confirmado o fato. Agora que sou um baixista desempregado queria mesmo era montar uma banda para fazer um som nessa linha. Claro, recheado de influências de Los Hermanos. Seria pedir demais meu senhor?
Quinta-feira, Janeiro 08, 2004
Meu problema não é com o filme, é com o livro. Tolkien se preocupou em criar um mundo, raças, línguas, religiões, deuses e demônios, mas não teve a mesma sorte quando resolveu ligar tudo isso por um enredo. Para mim tudo não passa de um episódio do He-Man, estendido por 3 longos livros, dos quais eu li apenas o segundo, meio que forçado. Explico: estava indo para a Chapada Diamantina em um pau-de-arara, uma viagem de 36 horas, e na última hora antes de embarcar procurei uma leitura para me acompanhar. Um amigo me ofereceu "As Duas Torres", e me interessei para saber quão fiel seria a segunda filmagem.
Eu teria parado no meio se tivesse outra coisa para fazer. O livro virou motivo de piada quando eu e meu amigo Tino (que também leu na viagem) chegamos na Chapada e iniciamos nossa longa trilha de 7 dias. Tino apertava seu passo quando estávamos chegando ao alto de um morro e gritava lá de cima: "Rafael, filho de Arnaldo, vejo aproximar as planícies do Vale do Pati. Regojizai-vos!" e muita risada na sequência. Não dá pra levar a sério um livro onde todos conhecem o nome do pai de todos.
E Gandalf? Aquele mago de meia-tigela. O pau comendo nas batalhas e ele só dando ordens. Cadê o poder que todos temem? O máximo que ele fez foi se foder com aquele diabão na caverna, dar uns croques no Maguinho do Mal e depois jogar repelente naqueles urubus gigantes. Um feito heróico por livro/filme, é pouco para o herói da história.
E Frodo? Quase morrendo quando chega na boca do vulcão, e depois que tudo começa a ruir sai correndo no melhor estilo Ben Johnson. Lamentável meu caro Watson, não há uma vez que eu não passe pelo Rodoanel e pense "isso deveria chamar Frodo-Anel". O pior é ver no final todo mundo se dar bem, menos a loirinha que perdeu o garotão que virou rei, mas daí eu também teria escolhido a Liv Tyler. E quando o rei malvado manda seus soldados para a morte certa e todos vão, afinal a honra é mais importante que a vida, claro. E depois de levar quatrocentas flechadas, o pequeno Wilbert ainda estava vivo.
E aquelas frases gloriosas que todos falam à beira da morte? Imagino a senhora Morte, no melhor estilo Neil Gaiman, esperando o futuro cadáver recitar suas máximas antes de levá-lo, olhando o relógio e batendo o pé direito. Valha-me senhor!
Eu não tinha lido o terceiro livro e não conhecia o final. Fui ao cinema com uma ponta de esperança, que pelo menos Frodo ao jogar o anel no fogo morresse junto, mas nem isso. Foi resgatado pelas águias transgênicas amigas, coisa que Gandalf poderia ter usado muito antes.
É por isso, e muito mais, que acho Senhor dos Anéis uma longa história para boi dormir, aliás, toda uma fazenda de gado. Não pretendo ver de novo e as versões extendidas seriam como uma sessão de tortura. Se você é fã, me desculpe. Me dê a mão e cantemos juntos: O bem vence o mal, espanta o temporal. O verde e o amarelo, tudo é muito belo...
Quarta-feira, Janeiro 07, 2004
Vai começar mais um BBB. Lembro-me de ter visto em alguma banca (tenho compulsão por bancas, é crônico) uma revista que os idiotas que a comprassem estariam concorrendo ao grande prêmio: estar na quarta edição do programa, ser trancafiado em uma casa recheada de acéfalos onde no final o mais babaca leva quinhentos mil morangos silvestres e passa a aparecer em programas de gosto duvidoso com a lamentável patente de "ex-Big Brother" (aplausos). No interim você pode se enroscar com um personal trainer ou uma modelo de casas noturnas numa relação que só pode ter algo de interessante debaixo de grandes lençóis e todo mundo, eu digo todo mundo mesmo, vai saber se você broxou ou se seu pipi é pequenininho.
Enfim, a Globo soltou esses dias a lista de participantes, um grupo de "felizardos" que serão obrigados a conviver com eles mesmos durante meses. E aí entra o paradoxo da revista. Porque não existe nenhum Ninguém José no meio deles? Todas as garotas, salvo Géris: 30 anos, enfermeira, da Paraíba serão certamente capas da Playboy nesse ano, uma parceria de sucesso graças ao advento do Photoshop.
Como de praxe existem negros na jogada, afinal ninguém quer ser taxado de racista não é? Coloca dois crioulos ali para deixar mais politicamente correto. Talvez na próxima coloquem um homossexual, seria uma jogada de mestre.
Será que a revista funciona mesmo? Eu duvido. Ela serve mesmo é para financiar a próxima edição. Em suma: vai começar a porcaria de novo. Novas gírias ridículas serão lançadas (faiz parrte) e boçais virarão ídolos da plebe. Sorte nossa que já fomos imunizados, não fomos?
Terça-feira, Janeiro 06, 2004
Foi um Reveião diferente esse meu. Não houve 7 ondinhas nem velas para Iemanjá, tudo substituído por uma pilha de grandes amigos e muita diversão. A promessa de nunca mais descer a serra na véspera da virada foi feita em 30 de Dezembro de 1998, quando levei 11 horas para completar o percurso que normalmente faria em 3. A partir daí o destino me agraciou todos os anos com uma folga um dia antes e jamais senti fome novamente.
Mas esse ano foi diferente, até o último instante eu estava conformado em trabalhar dia 31 e 2, quando recebi a notícia que, mediante reposição, poderia folgar. Acionei os contatos e marquei a viagem para Long Beach, ou Praia Grande para os leigos. Em um pulo, desmarquei tudo e agendei para Cajaíba, paraíso escondido entre o Rio e São Paulo, mas não deu certo, e lá fui eu, ela, e mais 10 amigos para Águas da Prata, cidadezinha lá na divisa com Minas Gerais, perto de Poços de Caldas.
Um amigo possui lá uma agência de eco-turismo, onde seu grande coração liberou o lugar para a trupe. E lá ficamos, empilhados e esbarrando em nós mesmos todo momento, mas não há nada de mal quando se está entre amigos e um pitbull manso como uma almofada. Com vocês, Conan Alberto, o Bárbaro e sua futura esposa, Bellite:

(Reparem no chinelo combinando com a camiseta)

Segunda-feira, Janeiro 05, 2004
(baseado em fatos venéricos)
Êle (este era o nome dêle) era um fumante invertebrado. Trabalha em uma repartição púbica e nas horas vacas seu robin era assistir filmes de infecção científica. Gostava de ouvir música, principalmente Q.I de Abelha, mas preferia Milton no cimento ou canto lírio, que soava mais célio.
Chovia granito na má drugada em que deixou seu apertamento e dirigiu-se até o boneco da esquina. Pediu uma cereja, sem coladinho, e sentou-se numa caveira incômoda e pensa, pensa? Flácido Domingos tocava na vitrola.
Apanhou seulular e piscou para sua morena, uma certa neja que já andava fingida de loira, e lamentou em noz alta ao tu-tu-tu:
- "É... só dá o cu, pado."
Foi quando se aproximou um garção alvo e de barca rasa, fazendo gracejos com seu amar e rindo de canto, sarcástico. Deu a entender que ouviu o papo e desconfiava que sua Lorena, atualmente loira, estava mesmo era enbolada em lençóis brandos com um vinil rapaz, daqueles que arrancam suspiros e quindins por onde destilam. Tudo com um único sorriso, meu Deus.
Êle não titubeou. Fez um movimento retilíneo uniformemente variado com seu braço e apontou a saliva para o servente, gritando:
- "Isso não é da sua ossada rapaz, tome seu prumo e suma daqui!"
Foi um dia espaçante para Êle.

