Terça-feira, Dezembro 30, 2003
Mais
Saiu mais uma resenha minha na Revista Paradoxo. Clique aqui pra ver, é sobre o filme Albergue Espanhol.
Particularmente eu achei minha pior resenha. Ano novo é época de repensar a vida mesmo.
Ah, ontem eu assisti a facada final do Senhor dos Anéis. Historinha medíocre, babaca, infantil (no pior sentido). O bem vencer o mal tudo bem, mas vencer dando pirueta e marcando gol de letra, aí é duro de engolir. Aguardem um post detonando essa porcaria devidamente.
De volta ao recesso.
Sexta-feira, Dezembro 26, 2003
Este brógue está em recesso até o ano vindouro. Deixo aqui meus votos de felicidade para todos que costumam passar por aqui. Que no ano que se inicia você consiga fazer tudo que tentou e não conseguiu em 2003, ou simplesmente não teve coragem nem de tentar.
Abraço, e até.
Terça-feira, Dezembro 23, 2003
O nome é feliz pacas, o disco está tão sério quanto eu nunca achei que o Rappa fosse capaz de ser. Eles não vendem mais erva nem tomam banho de mar, o lance agora é dub e é grave, muito grave, tanto que o radinho de pilha do meu carro não segura a bronca no volume adequado. Sim, o mundo está ouvindo música grave já faz alguns anos.
Sem dúvida, Yuka continua modelando o som da banda, mas agora é pela sua ausência e pelo acontecido. A banda ficou adulta, meio maltratada até, sairam do ócio e do óbvio e experimentaram coisas novas, sem perder a marca registrada. Foram felizes, muito felizes, trabalhando essa tristeza e o sucesso de Lado B, Lado A, na minha opinião ainda o melhor disco deles.
O momento alegria fica por conta de Seca Pacotinho e seus eternos hinos à bebedeira, mas mesmo assim é a cara da banda.
Se eu fosse vocalista do Rappa, seria negro e com dreads grandes, e cantaria jogando-os para um lado e para o outro. Aproveitaria minha perfeita dicção para fazer jogos com palavras e juntar uma frase toda em único tiro. Falcão é perfeito, a síntese do som, e ainda regravaram Chico Buarque, uma ousadia respeitosa.
Peço a benção, é um ótimo disco, dos que quando alguem pega na mão eu exclamo "discão!", e recomendo e agradeço, foi um ótimo presente de natal.
Quinta-feira, Dezembro 18, 2003
Deu no Estado: Réplica do avião dos irmãos Wright atola em poça.
Ora bolas. Se hoje, com todos a tecnologia e possibilidades de previsão que temos (principalmente eles) essa joça não voou, como querem que acreditemos que cem anos atrás funcionou?
Proponho algo: que tal o Brasil criar, juntamente com a França, três réplicas do 14 Bis para sobrevoar ao mesmo tempo os céus de Paris, Brasília e, sei lá, Washington. Claro que a primeira medida de segurança seria contratar um ianque para pilotar a versão americana. Caso a força aérea ache estranho e resolva abater antes e perguntar depois, o prejuízo será menor.
Malditos arrogantes.
A dica de som de hoje é Muse. Baixem aí Sing for Absolution e percam o fôlego quando o cantor sobe para o refrão. Animalesco, pena que esgotou no submarino.
Segunda-feira, Dezembro 15, 2003
Estou com dois textos encalhados. As palavras adequadas ficam sobrevoando minha cabeça, passeiam entre as frases ditas por outros, mas quando vou capturá-las, fogem como borboletas. E quando as consigo capturar na fina rede da minha memória (muito fina para quem me conhece), elas fogem antes que eu possa registrá-las.
São textos um pouco exigentes pela sua temática, não é qualquer borboleta que ornaria, mas a escassez está me fazendo poluí-lo com qualquer besteira. Espero redimir isso em breve, mas não os engavetarei por muito tempo. Gaveta faz bem, mas acaba mofando.
Sexta-feira, Dezembro 12, 2003
Sabe aquela música que você acha o máximo, ouve direto por meses, anos, e depois de tanto tempo ainda descobre uma coisa nova nela? Isso é uma característica das canções eternas, aquelas que a geração que iremos parir vai ouvir e admirar, e ainda lamentar por eles não estarem mais juntos, ou pior, mortos de overdose.
Pois bem, a canção em questão é Cadê teu suin?, da já ovacionada banda Los Hermanos. Se você a conhece, pule para o próximo parágrafo. Na letra, Marcelo Camelo sabiamente junta a última sílaba da frase com a primeira da frase seguinte, coisa de quem tem o dom da palavra. Exemplo: Cadê teu repiquem é teu padrinhonde é que tu tocadê teu suin?.
Agora, não sei se o lerdo sou eu, mas eu nunca tinha reparado nisso: Acerta esse tom, zera essa reza.... Sacaram? Tom Zé. Meu amigo Caixa D´água aqui do lado, fã também, nunca tinha notado. E vocês?
Quando eu era criança me aproximei de mamãe, meio envergonhado, e perguntei se quando ela era jovem, o mundo era branco e preto. Era tão óbvio, todas aquelas fotos eram mais que suficientes para essa conclusão.
Outra vez eu corri assustado para ela, dizendo que eu tinha tampado a respiração mas meu coração continuava a bater. Ela me tranqüilizou rindo: "ainda bem".
Mamãe sempre foi meu oráculo.
Até hoje, e para sempre, ouvir Vera tem um significado todo especial.
Quinta-feira, Dezembro 11, 2003
Galera, se liga no comercial do Multishow sobre o Ensaio Geral com o Los Hermanos que vai passar nessa sexta. Quando aparece eles tocando Todo carnaval tem seu fim a câmera focaliza um casal na platéia cantando com eles. A garota faz a dança do tamanduá africano e o rapaz mexe a boca e mais nada. Somos eu e Aline.
Quarta-feira, Dezembro 10, 2003
Aqui tudo é muito baixo e espaçoso, ou vai ver, sou eu que moro em São Paulo. Só fui entender que aquele prédio de 3 andares e um quilometro de largura era meu hotel quando a van passou a portaria. Como bem disse meu amigo Baiacu do Pé Redondo, a cidade parece uma enorme USP.
Aliás, esse rapaz merece um parágrafo. Formado em física pela USP e com mestrado em física nuclear, abraçou a carreira da informática (por ser bundão como ele mesmo diz) e é completamente doido. Estávamos ali olhando a maquete do hotel que fica no saguão, veja só:

Mas me adianto. A cidade é bonita, mas me incomoda um pouco sua racionalidade exacerbada. As ruas não tem nome, tudo é número e a localização fica fácil demais. Onde fica o bar? Na 402. Sei não, acho que prefiro nomes. Prefiro falar que subi a Teodoro até a Doutor Arnaldo para descer a Consolação do que andar pela 105 até a 307. Soa melhor, apesar de mais difícil. Eu gosto é do estrago.
A esplanada dos ministérios é imponente, mas a Avenida Paulista é mais. Não tive a impressão de grandiosidade, mas também não era a primeira vez que passava ali. Concluindo, é uma cidade diferente, provavelmente única, e isso me basta para apreciá-la. Espero ter tempo para conhecê-la como ela merece.
Terça-feira, Dezembro 09, 2003
Cá estou em Brasília, a terra da catota sangrenta. Até agora não tive nenhuma impressão, só que um ponto de rede aqui vale mais que ouro. Aliás, tive impressões sim, mas sobre pessoas.
Primeiro que em 8 horas aqui já conheci uns 4 maconheiros, fora ter encontrado 2 pessoas que já trabalharam comigo em idos tempos. De volta aos tempos de colégio, no último dia de aula, um cara que eu não tinha o menor papo veio se despedir e disse que a gente iria se ver novamente afinal o mundo era grande, mas não era dois.
Sábias palavras. Eu nunca mais o vi, mas sempre me lembro dele quando acontecem essas coincidências.
Segunda-feira, Dezembro 08, 2003
Ontem eu comprei as roupinhas e tênis, hoje eu consegui os brinquedos e os doces da criancinha que irei alegrar por um dia no natal. A iniciativa partiu de MariMari (será que tenho que falar dela toda vez?) que, baseada em uma chantagem emocional apelativa, convenceu eu e Aline a participarmos da Baladinha Criança Feliz.
É algo levemente hipócrita da minha parte, admito, mas é melhor que nada (uma qualificação detestável, já que qualquer merda é melhor que nada). Presenteio agora e depois sabe-se lá quando de novo, mas estou fazendo de coração e quem sabe não adquiro o hábito. Normalmente estou ocupado demais resolvendo problemas que eu mesmo criei (olha o clichê Rafael!).
E fizemos os pacotes, um com desenhos do Rei Leão e outro do Nemo. Eu que escolhi tá? Aline juntou tudo em belo embrulho. Mas, só aqui entre nós:

Semana passada meu professor de baixo (olha aí, piada pronta) me mostrou sua primeira tatuagem. Um símbolo japonês no pulso esquerdo que significa "o caminho". É o Do do Judo, Aikido, Taekwondo e afins.
Agora, só aqui entre nós, conseguem imaginar as piadas óbvias que o pobre rapaz está condenado a ouvir de agora em diante? Em meu pouco tempo de Aikido eu ouvi pelo menos 50 vezes cada uma dessas babaquices. Ai que dor, sai que eu dou. Imagine ter uma piada pronta cravada para sempre na sua pele. Pobre homem.
- "Quequé isso?"
- "É o Dô..."
Sábado, Dezembro 06, 2003

Pois bem, de 30 visitas diárias (veja bem, não disse 30 visitantes) pulei para 300. Sendo assim, resolvemos comemorar:

Foto tirada por MariMari
Quinta-feira, Dezembro 04, 2003
Famí era uma garota má. Morava lá, onde o sol brilhava maior, e malvada que era, judiava dos menores sem dó.
Um dia seu pai chegou meio de ré, descendo a escala, e pediu que se controlasse. Que não saísse mais de si, para evitar acidentes que poderiam tirá-la da pauta.
- "São crianças Famí. Menores! Acorde!", pediu tônico seu progenitor.
- "Trastes! Não me interessa se são menores, maiores, aumentados ou diminutos. Não é justo!", retrucou a garota aumentando o tom.
- "Óbvio que não são justos garota! São menores, sua experiência é breve e sua fome por doces ainda fusa!", explicou invertendo a métrica.
- "Mas todas as terças e quintas eles ganham doces e saem todos sustenidos, enquanto eu fico lá, pra baixo, grave.", esclareceu lamentando. "Isso mela o dia...", acrescentou apelando para o clichê.
Seu pai, um clássico muito batuta, não se fez de surdo. Abaixou o volume dos pequenos e encerrou a audiência com um gran finale:
- "Não precisa usar sua clave Famí, deixe comigo, eu as colocarei no ritmo."
Quarta-feira, Dezembro 03, 2003

E lá fui, conhecer Macondo e toda a trajetória dos Buendía.
Não tenho naipe (ai) nem coragem para fazer uma crítica literária, meu gosto maniqueísta se resume a gostei e não gostei, não tenho a propriedade de um Polzonoff, então deixo aqui apenas o sentimento de satisfação que o livro me causou. Não por terminá-lo, mas por absorvê-lo, por aprender centenas de novos truques e por ter feito com que eu ficasse muito mais próximo do bom hábito da leitura. Fui Buendía por 2 semanas, fiquei apenas 1 dia sem me deitar com ele. Deixei várias coisas atrasadas, mas é o que acontece quando se está entretido.
Li 2 livros esse ano, Ensaio Sobre a Cegueira e Cem Anos de Solidão. Pouquíssimo se comparado com o tempo que fiquei frente à TV babando, prometo melhorar amiguinhos.
A única dica que deixo aos que ainda não leram é que não leiam a resenha do submarino ou qualquer outra (aliás, isso vale para tudo, CDs, filmes...). Eles tiveram o disparate de começar o texto com a última frase do livro.
E quem diria... o campeão dos livros pela metade está criando juízo.
Segunda-feira, Dezembro 01, 2003
A última descoberta foi Interpol. Banda gringa, cara de anos 80, mas com aquele toque moderno que tanto aprecio.
Não sou chegado na música da década de 80. Acho válidos os resultados e confesso meio esquivo que ainda me pego assoviando algumas canções, mas considero várias vezes superior o que a precedeu e a sucedeu. Mesmo assim, Interpol me cativou, e se tornou eternamente responsável por mim.
Tem Kazaa? Baixem "PDA", "NYC" e "Roland", nessa ordem.
Por fim, se você sabe operar o Adobe Premiere, ou conhece alguem que sabe, entre em contato por favor. Estou apanhando de tópicos muito básicos.
