Terça-feira, Setembro 30, 2003

Faça o seu herói aqui, de preferência um inimigo de Zortan, e envie pra mim !
Segunda-feira, Setembro 29, 2003
Como se julga uma banda em um festival?
Por exemplo, existem quesitos como presença de palco que são um tanto quanto subjetivos. Explico: uma banda punk cujo guitarrista vomita no palco, ganha tantos pontos quanto uma dupla sertaneja que faz o mesmo ? E como se define a qualidade de uma composição ? Uma música dos Ramones é pior composta que uma do Dream Theater ? Aliás, o próprio fato de transformar arte em competição me soa estranho. Como vocês vêem isso?
Alguns podem estar pensando: "Rá! Eles perderam o festival domingo em Limeira e agora está revoltado!", mas não, ainda não é isso. É que ontem, ali no palco, olhando os jurados batucando com a caneta em suas mesas, me peguei pensando se minha estrelinha do PT no boné iria influenciá-los de alguma maneira.
E o resultado ainda nem saiu, viu bobão ? Quando sair eu falo aqui.
A primeira banda fomos nós. Apesar do atraso o bar estava vazio, tocamos para os jurados e as outras bandas, mas foi bom mesmo assim. Depois vieram os gentes finas do Kissuco Baby. Os caras mandaram bem, algo me diz que eles vão ganhar. Em seguida a banda Morácula, misturando covers de Pink Floyd com Ramones, achei que isso tirou pontos deles de alguma maneira. Por fim, Death Slave e sua horda de fãs. Os caras lotaram o bar (misteriosamente, todos os fãs chegaram um minuto antes de começarem...) e rasgaram um metal daqueles que não sei definir, mas deve ter um nome feio. O vocal tinha uma bela técnica, mas dava aqueles gritinhos que eu já achava um porre quando tinha 16.
Aì cabe outra questão: existe o quesito Júri Popular. Nós, pobres estrangeiros, não tínhamos sequer um amiguinho ali no local, porém as bandas locais eram ovacionadas. Isso não é justo, de maneira nenhuma, isso é um quesito extremamente parcial e inválido. Mas, enfim... o resultado deve sair hoje ou amanhã, e eu anuncio aqui.
Façam figa, mas não apostem.
Sexta-feira, Setembro 26, 2003
Deu no Terra. O jovem francês, tetraplégico, mudo e quase cego que havia pedido por carta ao presidente Jacques Chirac (sim, o mesmo dos testes nucleares) para que desligassem seus aparelhos e o deixassem morrer em paz, finalmente faleceu.
A morte foi causada por sua mãe, que envenenou seu soro. Coisa de filme não? Existe amor maior que matar um filho? Não falo do caso de psicopatas que matam a namorada por ciúmes, isso sim é amor verdadeiro.
E que espécie de lei é essa que nega o direito básico de encerrar o próprio sofrimento? Ela é baseada em que tipo de ética, ou é apenas um resquício de influência religiosa?
Por mim, essa mãe leva o Nobel de alguma coisa. Nobel do amor, da coragem, sei lá. Mas leva.
Quinta-feira, Setembro 25, 2003
(From Hell, EUA 2000: Alan Moore, Eddie Campbell)
Foram 10 anos de pesquisa, e o resultado são 4 volumes (grossos pros padrões de histórias em quadrinhos) recheados com a história de Jack, o estripador, por uma ótica inédita. A do próprio assassino.

Ainda estou no segundo capítulo, não é algo que se leia rapidamente. Cada diálogo é recheado de referências e prende toda sua atenção. A narrativa é assíncrona. Vira-se a página e alguns quadrinhos depois percebe-se que estamos 4 anos à frente da página anterior, mas não há letreiros gritando "4 anos depois...".
O simples fato de ter escrito épicos como Watchmen e V de Vingança (essa última, minha preferida entre tudo que já li), faz de Alan Moore o maior roteirista de HQs da história, na minha humilde opinião.
Se você acha que HQs se resumem à Turma da Mônica, a Liga da Justiça ou o Recruta Zero, sinto lhe informar que isso aqui é sério, e se você prometer tomar cuidado, empresto alguma coisa pra te provar o contrário.
A arte de Eddie é sinistra, sombria. Ele utiliza apenas preto, variando muito pouco entre tons. Quase não há cinza. É um pouco difícil reconhecer os personagens apenas pelo desenho, mas os diálogos resolvem esse problema.
Em breve publico algo mais detalhado, pois ando sem tempo de ler (ver, ouvir...), mas vou adiantando: sinto o peso de uma obra-prima em minhas mãos.
Leia quadrinhos.
Quarta-feira, Setembro 24, 2003
Vocês rezaram, torceram, vibraram, e acho que deu certo. Falta só um telefonema oficial.
Segunda-feira, Setembro 22, 2003
sexta:
Chicago
(Chicago, EUA, Canadá, 2002)
Não é Moulin Rouge, mas é bom demais. Até a metade do filme eu ficava imaginando e tentanto calcular quanto tempo de ensaio aquelas coreografias tomaram, e também aliviado pensando que meu trabalho é realmente fácil. É tudo muito meticuloso, detalhado, coberto de referências que devo ter deixado escapar aos montes.
A história em si é uma grande ironia ao sistema judicial americano, um grande circo como é deixado claro pelo advogado canastrão vivido por Richard Gere. E Z. Jones está linda.
Todas as vozes das canções foram feitas pelos próprios atores, o que rende boas surpresas.

Em suma, como amo boa música e cinema, é a perfeita fusão. Mas não é Moulin Rouge.
sábado:
O Buraco
(The Hole, Inglaterra, 2001)
Uma parábola. O filme começa fraco, um thriller de meia-tigela, adolescentes tendo que enfrentar as tragédias do estilo de vida americano, como ser excluído por não ser magro ou não fumar cigarros. Mas eis que - pasmem - uma surpresa e nada é o que aparentava.
Nesse momento o caro telespectador pensa: "Perfeito! Agora sim o filme deve me surpreender". É onde começa a queda, e tudo acontece como você previu.
Não perca seu tempo. Admito que a semelhança da protagonista com o brinquedo assassino rendeu boas risadas, portanto só aconselho uma sessão se for com amigos bem humorados.


domingo:
O Filho da Noiva
(El Hijo de la Novia, Argentina, 2001)
O filme transborda sentimentos. Rafael (não eu, o do filme) é divorciado, pai de uma filha linda, namorado de Naty - uma maravilhosa psicóloga - e dono do restaurante fundado por seus pais. Sua rotina é uma maratona, onde o tempo para a vida propriamente dita é o que sobra depois de tudo. O pai de Rafael é um eterno apaixonado por Norma, sua esposa há quarenta anos.
O filme te envolve. O restaurante passa a ser seu, Vicki é sua filha, Naty sua namorada e Juan Carlos seu amigo doido. Seu pai ama sua mãe e quer se casar com ela na igreja, mesmo ela sofrendo de Alzheimer, para realizar um velho desejo dela. Não há como escapar, e prepare-se para rir e chorar.

As piadas são excelentes, bem colocadas no contexto. Os atores são fantásticos. A indicação ao oscar é merecidíssima. Aline, minha namorada, ria e chorava tanto. Ficamos ali, olhando os créditos ao fim do filme, como na esperança de mais uma ceninha, qualquer coisa.
E como o filme é perfeito, a cena veio. Portanto não desligue a TV quando o filme acabar.
Sexta-feira, Setembro 19, 2003
Eu li em algum lugar no antigo site do patoputo que ele tinha um amigo que guardou uma música do Raul Seixas, que ele adorava, para ouvir depois. Para ter o prazer de ouvir uma música "inédita" no futuro. Achei o máximo isso, mas claro que eu seria incapaz. Não com o Raul, esse eu não conheço muita coisa, mas por exemplo com os Beatles, ou Los Hermanos, ou Led Zeppelin.
Mas inconscientemente eu acabo fazendo isso com bandas. Existem épocas de vacas magras, verões que passo inteiro sem ouvir nada de novo que me agrade, mas também há períodos de enxurrada. E são nesses períodos que eu deixo uma banda no bolso, para ouvir na seca.
A banda guardada no bolso era Belle & Sebastian. Muitos amigos falaram bem, eles vieram pro Brasil, mas mesmo assim eu não baixei um mp3, não ouvi no rádio, não vi o clipe, nem sabia como soava. E ultimamente as vacas estão magras não ? Desde Ventura!
Pois bem, ontem fazendo hora no shopping D&D vendo vasos que custam um mês de salário bruto meu, entrei na Saraiva disposto a passar vontade (a grana anda curta). E passei, até me deparar com fold your hands child, you walk like a peasant por apenas 9,90. Coisas do destino. Já estou ouvindo, eu breve eu opino.
Uma outra banda que guardo no bolso até achar o CD mais barato (ou o genérico) é o Kings of Leon.
Observação pertinente para o momento: alguém está para tomar uma decisão muito importante para mim. Façam figa, acendam velas para deus e o capeta, larguem a garrafa de 51 na encruzilhada e façam pensamento positivo. Espero divulgar boas novas em breve. Não é nada espetacular, nenhum contrato com nenhuma gravadora, nem tem a ver com música, mas vai dar um tapa na bunda dessa vidinha mais ou menos.
Quarta-feira, Setembro 17, 2003
(Janela da Alma, Brasil, 2001)
"Os olhos são a janela da alma, o espelho do mundo", disse Da Vinci. E aqui, os diretores documentam depoimentos informais - quase um bate-papo - de pessoas interessantes com algum defeito visual, desde uma miopia até a cegueira. É fascinante ouvir de Hermeto Paschoal que ele pediu ao Deus um tempo de cegueira para desenvolver outros dons que ele sabia que não seriam aproveitados como deveriam enquanto ele pudesse usar a visão como atalho. Para ele, a visão atrapalha a busca pelo entendimento pleno. Já José Saramago desfia idéias usadas em seu livro Ensaio sobre a Cegueira (Leia! Leia! Leia!) afirmando que nunca vivemos tão nitidamente dentro da caverna de Platão, e cada vez mais.
O filme é curto e certeiro. Bem humorado na dose certa. Gostaria de transpor alguns trechos aqui, mas ainda não os encontrei na internet, fico devendo essa. Mas faça-se um favor: veja esse filme.
Segunda-feira, Setembro 15, 2003
Anatomia
(Anatomie, Alemanha, 2000)
Do mesmo diretor e com a mesma atriz do ótimo Corra Lola, Corra (Franka Potente). Mas sem a mesma criatividade, com uma bela dose de previsibilidade, resultando numa pequena decepção. O filme não é ruim, mas não é bom. Entra por um ouvido e sai pelo outro.

Uma onda no ar
(Uma Onda no Ar, Brasil, 2002)
O filme conta a história da Rádio Favela, que operou em Belo Horizonte durante anos na ilegalidade. O filme soa como um embrião de Cidade de Deus, tanto no elenco quanto nas localizações, porém sem o mesmo glamour nem qualidade.

Talvez seja o baixo orçamento, mas o filme ficou aquém do esperado. O protagonista Jorge é cansativo. Em dado momento eu já estava torcendo para ele se dar mal e morrer logo.
8 Mile
(8 Mile, EUA, Alemanha, 2002)
O pior é que esse foi o melhor filme. Eminem é bom, os raps são legais, a Kim Basinger continua quente e a fotografia é legal bagarai. Odeio ter que admitir isso.

Esse foi meu fim de semana.
Sexta-feira, Setembro 12, 2003
Björk

Linda, linda de morrer. Graciosa. Voz sutil mas avassaladora quando liberada. Um misto de delicadeza e força jamais visto.

As músicas são puro sentimento. Se você não gosta, tente ouvir Jòga ou Bachelorette do excelente Homogenic, ou Army of me e a clássica It´s oh so quiet do anterior Post.

Mesmo sendo um paga-pau desse naipe, eu não gostei de Dançando no Escuro. Achei desnecessariamente triste, e as músicas perdidas, desconexas. Salvaria pela beleza da Björk, mas ela escondida atrás daqueles óculos e roupas horríveis, está irreconhecível.
Björk é única, sua voz é inigualável. Seus discos nem de longe são cômodos, sempre trazem novas sonoridades, e afinal, onde a música iria parar se tudo fosse cover de Ramones ?
Quinta-feira, Setembro 11, 2003
Zumbis do Espaço

Conheci a banda num show em Jundiaí. Passei mal de dar risada com as letras, que contém trechos poéticos como:
"Nós queremos, nós tomamos, e não nos importamos.
Nós somos diabos mutantes (ês!), fecundando humanos."
(Diabos Mutantes)
O cheiro da morte está em todo lugar, o silêncio atordoa nao deixa você pensar.
Você sente em sua espinha, você sente no ar, o medo te consome você reza pra acordar."
(Que Venham os Mortos)


O som é tão simples quanto se pode ser. Influências de Ramones, Misfits e só, mais nada. E mesmo assim, é legal bagarai! Imaginem essas letras cantadas em tom maior (alegrinho) e cheia de "ô ô" nos back vocais. Não é mórbido como as letras sugerem, é engraçado. Terror do tipo Zé do Caixão, ou "Terrir" como já foi chamado. Nada de Black Sabbath ou Death Metal, o negócio aqui é punk rock cru.
Eu gosto. Vai ver eu também vim do inferno, me tornei um mutante, mato por prazer e moro na casa dos horrores.
Quarta-feira, Setembro 10, 2003
Porque as pessoas abreviam Brasília como BSB ?
Terça-feira, Setembro 09, 2003
Faz alguns meses que deixei de assinar a Caros Amigos, por motivos que não vem ao caso, mas ainda recebo o informativo mensal da revista.
Esse mês traz um texto muito interessante de Mylton Severiano (o rapaz da enfermaria) sobre um projeto de lei que prevê que todo estrangeirismo seja acompanhado da tradução em português entre parênteses.
Ora bolas ! Mylton é indiscutível quando diz "é complicado legislar sobre a cretinice". Se os marqueteiros e meus chefes insistem em usar palavras como issues, brainstorm e outras, não é uma lei que vai explicar à eles que isso é ridículo.
Leia aqui o texto na íntegra.
Segunda-feira, Setembro 08, 2003
Atualizei os links aí do lado, tem coisa nova muito boa.
(About Schmidt, EUA, 2002)
Warren Schmidt é um recém aposentado que descobre que sua vida deixou de ter importância após sua aposentadoria. E ainda por cima percebe que tudo que construiu não passa de uma fachada, sua vida é vazia e substituível, e deliciosamente engraçada. E ele se dá conta disso, e luta para que isso não aconteça com sua filha, prestes a se casar com um perdedor de bom coração.

Schmidt é o futuro que evitamos. Usou toda sua vida para dar conforto à sua família, e agora que chega sua vez de aproveitar, vê que tudo que sabia fazer era seu trabalho. Sua mulher é uma estranha, sua filha vai se casar com um estranho e seu melhor amigo não é bem o que parece.
O filme é hilário, mas em nenhum momento é pastelão. Adoro filmes que não explicam a piada, e enquanto um ator do porte de Jack Nicholson a contar, não precisará nunca. Ele é um dos atores mais versáteis do cinema e consegue o que todo ator deveria conseguir: transmitir páginas de texto com um levantar de sobrancelha. O enredo é bom e por si só já merece ser visto, mas a atuação dele é o que eleva o filme acima da média.
Sexta-feira, Setembro 05, 2003
O VMB da semana passada foi a prova cabal: a MTV passa por uma crise terrível de VJs. A ausência do mestre Fábio Massari (foi com ele e o Lado B que eu descobri muita coisa que ouço hoje) realça a acefalia crônica de pessoas como Sarah, Didi (Wagner, não Mocó Sonrisal... como era o resto?), Penélope, o ruinzinho Léo Madeira e o terrível Rafa. A parte boa do VJ Rafa é que se ele pode, eu também posso.
Fernanda Lima tem presença, jogo de cintura até, mas não segurou a onda o programa todo. Trocar de roupa 10 vezes não disfarça tanto assim. Daniela Cicarelli mostra cada vez que abre a boca que é uma excelente modelo para outdoors e deveria mesmo era sair na playboy, quietinha. Edgar e Marina Person são exceções, mas apenas caolhos nessa terra.
Nesse reino, Cazé impera soberano com seu par de olhos, muita perspicácia e agilidade mental, além de ser culto e bem humorado. Se a MTV perdê-lo, perderá junto muitos motivos para eu sintonizá-la, já que de Music, a Television já não tem mais tanto assim.
Preciso ir ao cinema.
Quinta-feira, Setembro 04, 2003
Existe um clichê sobre o livro preferido de qualquer loira burra ou miss, que seria sempre o pequeno príncipe. Não importa se isso é verdade, mas na minha humilde opinião esse livro é de uma beleza ímpar. Li quando tinha menos de 14 anos e gostei. Reli trechos agora pouco e gostei mais ainda, mesmo detestando qualquer tipo de mensagem de auto-ajuda ou abominando aqueles arquivos do power point com ursinhos e frases felizes.
Então se você tiver tempo e vontade, use-os para ler esse trecho aqui, que achei nos escombros digitais :
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...E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
- Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto
inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
...e disse a raposa:
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol.
Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma.
E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor...cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é sua, disse o principezinho, eu não te queria fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."
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Fascinante.
Quarta-feira, Setembro 03, 2003
Roubado sem piedade da Casa no Mato, cuja proprietária é muito CB.
acordei bemol
tudo estava sustenido
sol fazia
só não fazia sentido
-Paulo Leminski
Não dá pra pular uma faixa, todas são maneiras. Nenhuma muda sua maneira de ver o mundo ou dá nó na garganta, mas e daí ? O baterista deles é brasileiro e ainda come a Drew Gordinha Gostosa !
E tem coisa nova deles vindo por aí.
Segunda-feira, Setembro 01, 2003
(Amarelo Manga, Brasil, 2002)
Eu me perguntei várias vezes durante a sessão : "será que isso foi necessário ?".
É um filme sem pudores, que busca mostrar - como ele mesmo diz - que o ser humano é sexo e estômago. Concordando ou não com isso, eu achei repugnante a forma como o diretor expôs suas idéias.
O cinema, assim como qualquer forma de arte, permite que uma idéia seja exposta de muitas maneiras diferentes, e quanto mais explícito, menos sutil e inteligente. Um dos grandes méritos em uma obra é usar uma linguagem inesperada para mostrar algo. Não é necessário usar sangue para mostrar violência, ou genitálias para mostrar sexualidade.
Nesse ponto, o filme naufraga fundo. As cenas são tão explícitas que constrangem o público (isso fica claro pelas constantes risadas ouvidas no cinema). É um filme que provavelmente não verei de novo, não pelo enredo, nem pelas atuações, mas pelo asco. E é uma pena, pois é um bom enredo e possui boas atuações, principalmente a de Dira Paes como a crente Kika.
E nos outros pontos o filme vai muito bem. Dá até para rir com os chiliques de Dunga, papel do ótimo Matheus Nachtergaele. Dá para sentir na pele o drama de Kika, a dureza do Kanibal, a solidão de Aurora... o filme possui muitos pontos interessantes, mas meu estômago de moça impede de tecer mais elogios.
